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Estupro Harvey Weinstein Polícia Nova York Justiça assédio

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Nova procuradora mulher pode mudar rumo do caso Weinstein em Nova York

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Harvey Weinstein foi tratado nos últimos meses de sua adição sexual em uma clínica caríssima do estado de Arizona. REUTERS/Steve Crisp/File Photo

O ex-produtor de cinema americano Harvey Weinstein, acusado por dezenas de mulheres de estupro e assédio sexual, finalmente se apresentou à polícia de Nova York (NY) nesta sexta-feira (25). Segundo Sandra Muller, criadora da versão francesa do movimento #MeToo, a nomeação recente de uma mulher, Barbara Underwood, na Procuradoria de NY pode acelerar os processos contra Weinstein.


Weinstein poderá ser indiciado por pelo menos um caso de agressão sexual, ocorrido em 2004. A queixa foi apresentada pela atriz iniciante Lucia Evans, que acusa o ex-produtor de tê-la forçado a praticar uma felação. A polícia de Nova York afirma ter recolhido indícios importantes contra Weinstein desde novembro passado.

O advogado do ex-produtor, Benjamin Brafman, um dos mais célebres dos Estados Unidos, e o mesmo que defendeu o francês Dominique Strauss-Kahn de uma acusação de estupro, já teria negociado para seu cliente que ele não seja preso. A defesa teria proposto o controle judicial com uso de tornozeleira eletrônica para Weinstein.

Uma centena de mulheres, incluindo celebridades como Uma Thurman, Ashley Judd ou Salma Hayek, acusam o ex-produtor de Hollywood de fatos que vão desde assédio sexual até estupro. Weinstein, 65 anos, negou ter mantido relações sexuais sem o consentimento dessas mulheres, mas é investigado por várias denúncias em Nova York, Los Angeles e Londres.

A jornalista francesa Sandra Muller, criadora do hashtag #balancetonporc, versão francesa do movimento americano #MeToo, diz estar aliviada com a entrega de Weinstein à polícia e que "chegou a hora de algo acontecer" nesse escândalo. "Uma nova procuradora, uma mulher, foi nomeada no início do mês em Nova York e, surpreendentemente, poucos dias depois, Harvey Weinstein vai se entregar", declarou Muller à radio Franceinfo.

Para a francesa, o afastamento dos dois homens do caso, Schneiderman e Vance, e a nomeação de uma mulher para dar continuidade às investigações podem mudar o rumo do destino judicial de Weinstein.

Muller observa que o caso se arrasta há sete meses, após 20 anos de assédio e agressões do ex-produtor. A jornalista lembra que o procurador Eric Schneiderman, que trabalhava no caso, precisou se demitir no início de maio, depois de sofrer denúncias de assédio e de violências relatadas por quatro ex-companheiras.

Advogado de Weinstein tirou DSK da prisão

Benjamin Brafman é o mesmo advogado que defendeu o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn de uma acusação de estupro, em 2011. O ex-ministro socialista francês foi denunciado por uma camareira do hotel Sofitel de Nova York. DSK chegou a ir para a prisão, mas, depois de pagar uma fiança milionária, foi beneficiado com prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. O caso foi encerrado depois de Brafman obter para o francês um acordo financeiro com a denunciante.

Segundo Muller, na época, o procurador de Manhattan era Cyrus Vance. "Em 2015, de memória, Vance obteve um vídeo de uma modelo italiana, Ambra Battilana, que acusou Weinstein de agressão, mas o caso não foi considerado suficientemente convincente pelo procurador para levar a um indiciamento do ex-produtor", conta Muller. O que pouca gente destaca na França é que "o procurador-geral recebeu U$ 10 mil de Weinstein para financiar sua campanha, um caso que está sendo investigado a pedido do governador de Nova York", ressalta Muller.