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Postura mercantilista de Trump no G7 ameaça UE

Por Alfredo Valladão

Os europeus apelidaram o G7 no Canadá de “G6 + 1”. A Casa Branca retrucou que era um “G1+6”. Donald Trump chegou atrasado, não assistiu a todas as reuniões e saiu mais cedo. Também não cedeu nada em matéria de tarifas comerciais e ameaçou a Europa com uma guerra comercial pra valer.

Além de retirar a própria assinatura do comunicado final já no avião que o levava para o encontro com o norte-coreano Kim Jong-un. Não resta sombra de dúvida: os Estados Unidos de Trump não querem mais saber de dar prioridade à tradicional parceria transatlântica ou a outros aliados como Canadá e o Japão.

Para o  lourão da Casa Branca é “America First”: quem deve mandar no mundo e tirar o maior proveito é só a América. Doa a quem doer. Nada de encontrar soluções onde todo o mundo ganha. Tudo é poder: são só perdedores e ganhadores. Graças ao seu imenso poderio militar e econômico, Washington tem que ganhar sempre. Trump não está mais a fim de respeitar as regras do jogo da atual ordem internacional, criada e garantida pelos Estados Unidos.

Hoje, a potência americana acha que está acima das leis e de todas as instituições multilaterais, sejam elas mundiais – como a ONU ou a OMC – ou regionais como o NAFTA ou a União Europeia. Agora é unilateralismo no uso da força e bilateralismo assimétrico em matéria de negociações comerciais. É a volta do velho mercantilismo que tantas crises e guerras já provocou.

EUA querem quebrar modelo europeu

Na cúpula do G7, Trump declarou abertamente que para manter a maior força militar do planeta, os Estados Unidos precisam de uma balança econômica equilibrada. E que o resto do mundo vai ter que pagar esse preço. A União Europeia está entre a cruz e a caldeirinha. Não é uma potência militar e depende dos americanos para a sua segurança e seus intercâmbios econômicos. Mas os Estados membros juntos, representam a maior potência econômica mundial.

Pior ainda para Washington, essa Europa integrada também é a maior produtora de regras sociais e econômicas do planeta. Pelo visto, os americanos estão dispostos a quebrar esse poderio europeu coletivo e prefeririam uma Europa dividida para tratar com cada país individualmente. Quando o novo embaixador americano em Bruxelas declara que vai torcer pelos partidos anti-europeus, populistas e nacionalistas, fica claro que veio com o objetivo de acabar com a integração do Velho Continente.

Uma postura igual a de Vladimir Putin cuja estratégia é enfraquecer a União Europeia para poder restabelecer uma “zona de influência” russa na Europa central e do Leste. Aliás, Trump já mostrou que prefere negociar diretamente com a potência militar russa e a potência econômica e militar chinesa, do que com uma Comissão Europeia supranacional que domina a regulação e as negociações comerciais do maior mercado do planeta. 

"Europa está em perigo"

A Europa está em perigo. Todo o sistema de segurança coletiva transatlântica e de integração econômica estabelecido nas últimas décadas livrou a Europa das tradicionais guerras generalizadas e crises devastadoras. Só que hoje, ela está ameaçada, desde de fora pela Rússia e os Estados Unidos, e desde de dentro pelas vitórias eleitorais de movimentos populistas que sonham em voltar para o tempo das velhas soberanias nacionais.

Mas a boa notícia é que os líderes europeus estão contra a parede. Ou vai ou racha. Ou bem são capazes de reforçar as instituições comuns integradas e criar um política de defesa comum independente para poder encarar Trump. Ou então o continente está ameaçado de desintegração. Não só a própria União Europeia, mas também a coesão de cada Estado membro. E uma Europa fragmentada é sinônimo de crise econômica, não só local mas global, e de ameaças de guerra. Mas conflito no Velho Continente se transforma quase sempre em guerra mundial. O futuro da União Europeia é um problema para o mundo inteiro.

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