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Candidato mais cotado à presidência da Colômbia coloca em risco acordo com as Farc

A Colômbia decide no domingo (17) se nos próximos quatro anos será governada pela direita, representada pelo jovem candidato Iván Duque ou, se, pela primeira vez, terá um presidente de esquerda, o ex-guerrilheiro Gustavo Petro. Todas as pesquisas apontam Duque como vencedor, que deve reformular os acordos de paz assinados com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
 

Andrea Domínguez, correspondente da RFI em Bogotá

Iván Duque, candidato apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, partidos tradicionais, igrejas cristãs e instituições econômicas, propõe continuidade no modelo econômico centrado no extrativismo e na redução de impostos para a grande empresa com o objetivo de estimular os investimentos. Sobre a paz com as Farc, ele quer reformar os acordos para endurecer as penas aos comandantes da ex-guerrilha. Em pautas sociais, como os direitos de minorias sexuais ou o uso de drogas, por exemplo, ele tem uma agenda conservadora. 

Por sua vez, Gustavo Petro conta com o apoio de líderes indígenas, afro-colombianos, minorias sexuais, grupos feministas e intelectuais. Além disso, seu programa propõe uma reforma agrária para incrementar a produção agrícola com enfoque ecologista e diminuir a dependencia dos combustíveis fósseis. 

Na verdade, Petro fala em reformar quase tudo para aumentar a presença do Estado na educação, na saúde e no sistema produtivo. Mas o que ele não reformaria são os acordos com a guerrilha, que estão baseados em um sistema de justiça de transição.

Eleições históricas

Para começar, trata-se da primeira vez em que um candidato de esquerda chega tão longe quanto Gustavo Petro e isto tem a ver com o fato de o país não ter mais uma esquerda armada, após a assinatura do acordo de paz com as Farc. 

Segundo a cientista política Sandra Borda, os colombianos procuraram opções de líderes conservadores para acabar com a guerrilha, mas que sem a organização armada no panorama, o caminho ficou livre para opções de centro e de esquerda que antes não eram levadas em consideração. 

Assim, no domingo os eleitores irão decidir entre dois modelos diferentes de país, e isso também torna essa eleição histórica e deixa todo mundo com os nervos à flor da pele.

Colômbia pode virar a próxima Venezuela?

Para muitos colombianos, há o temor de que a Colômbia se torne uma próxima Venezuela sob um eventual governo de Petro. Essa é a pergunta que não quer calar.

Petro ganhou o apoio público do ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, que foi eleito com a segunda votação mais alta nas últimos eleições para o Senado. No primeiro turno, Mockus tinha apoiado a candidatura centrista de Sergio Fajardo. Enquanto Fajardo anunciou que votará em branco no domingo, Mockus fez um ato público em que anunciou seu apoio a Petro e firmou com ele dez compromissos, entre os quais estão: “não expropriarei” e “não convocarei uma assembléia constituinte”, que são dois grandes temores da população no caso da sua eventual chegada ao poder.

Mas, por outro lado, também se teme uma forte influência do ex-presidente Uribe por trás de um eventual governo de Duque. Uma das maiores críticas ao Duque ao longo da campanha é que até um ano atrás, o senador do Centro Democrático era praticamente um desconhecido sem nenhuma experiência em administração pública. 

É inegável que Uribe é o seu mentor, mas também é claro que entre os precandidatos uribistas, Duque sempre se apresentou como o mais moderado e até foi taxado pelos mais radicais do uribismo de ser uma ficha do presidente Santos. Os seus rivais políticos reconhecem nele um jovem aplicado e disciplinado, mas teremos de aguardar para ver o que acontece. Por enquanto, o protagonismo do ex-presidente Uribe está garantido na vida política do país por ser o senador eleito com maior quantidade de votos para a próxima legislatura. 

Dura tarefa 

Quem ganhar nesse segundo turno no domingo, não terá uma tarefa simples pela frente, com um país extremamente polarizado e um tanto fragilizado por uma campanha acirrada. 

O próximo presidente também terá que lidar com a implementação dos acordos de paz, gostando ou não deles, e ter que encarar uma economía com baixo crescimento. Além disso, vai herdar uma longa lista de problemas sociais, cultivos de coca espalhados pelo país inteiro e desafios enormes na infraestrutura.
 

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