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Argentina usará parte do empréstimo do FMI para conter escalada do dólar

Por Márcio Resende

Nesta quarta-feira (20), a diretoria do Fundo Monetário Internacional vai aprovar formalmente o empréstimo de US$ 50 bilhões para a Argentina. O primeiro desembolso de US$ 15 bilhões vai chegar ao Banco Central argentino na sexta-feira (22) e será um escudo protetor para uma economia com poucas armas para se defender da corrida cambial que voltou a sacudir o país.

Do correspondente em Buenos Aires

O governo do presidente Mauricio Macri conta as horas para receber o financiamento com o qual pretende acalmar o mercado financeiro enquanto ajusta a economia a uma nova fase mais austera, de maior inflação e de menor crescimento econômico, fatores que prometem trazer fricção social nos próximos meses.

Os recursos do FMI darão um alívio imediato no ambiente de forte tensão financeira. O governo tem tomado medidas urgentes para resistir à corrida cambial até receber a primeira parcela de desembolso. Metade dos US$ 15 bilhões servirão para reforçar as reservas do Banco Central e só a outra metade poderá ser usada para conter a escalada do dólar. De todos os países emergentes afetados pelo aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, a Argentina é o mais impactado devido à vulneralibidade dos fundamentos da sua economia.

O empréstimo do FMI vai permitir ao governo ganhar tempo para arrumar a casa e conquistar credibilidade. As autoridades têm procurado retirar dinheiro de circulação do mercado para evitar que os pesos se transformem em dólares, aumentando a desvalorização da moeda argentina. O governo aumentou o nível de depósito compulsório dos bancos e tem procurado trocar dívida de curtíssimo prazo por dívida de médio prazo. O problema é que, para conseguir isso, elevou os juros de 40% a 47% ao ano, a taxa mais alta do mundo e que paralisa a economia. Mesmo assim, só conseguiu renovar 60% do vencimento de US$ 18 bilhões dessa terça-feira (19). O efeito dessa pressão só poderá ser avaliado na quinta-feira (21), depois do feriado desta quarta-feira em comemoração ao Dia da Bandeira.

Em paralelo a essas medidas econômicas, o presidente Mauricio Macri tem trocado membros desgastados da sua equipe. Na semana passada, substituiu o presidente do Banco Central e, no fim de semana, nomeou novos titulares nos ministérios da Energia e da Produção. Nenhum governo troca ministros num fim de semana se a situação não for preocupante.

Disparada do dólar

Desde o começo deste novo período de turbulência no final de abril, o peso argentino se desvalorizou em 40%. Isso mesmo depois de anunciado o acordo com o FMI. Há um consenso entre analistas em avaliar a política econômica do governo como errática. Num país que tem o dólar como referência, a desvalorização do peso significa aumento da inflação e menor crescimento.

A inflação pode terminar o ano em 30%, o dobro da inflação projetada em janeiro. Esse número antecipa um conflito social por reivindicação salarial. Uma greve geral já está convocada para a próxima segunda-feira (25). Macri precisa encontrar um fino e difícil equilíbrio entre ajustar a economia e não aumentar a desilusão social.

Repercussão no Brasil

A Argentina é um dos principais importadores de produtos brasileiros, o primeiro de produtos industrializados, que são aqueles que geram mais empregos. Se a economia argentina crescer menos, irá comprar menos do Brasil, afetando a economia brasileira, que perderá o potencial desse mercado.

A economia argentina tinha uma projeção de crescimento de 3,5% EM 2018. Esse crescimento caiu agora para algo entre 0,5% e 1%. Na carta de intenção para o FMI, por exemplo, o governo prevê um crescimento de apenas 0,4% neste ano. Dados oficiais divulgados na últimas horas indicam que, no primeiro trimestre do ano, antes da turbulência, a Argentina cresceu 3,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Neste segundo trimestre e no terceiro, calculam os economistas, o crescimento será nulo.

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