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Rafael Correa Equador Prisão Interpol Bélgica

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"Há um roteiro, há todo um complô", diz ex-presidente do Equador sobre prisão

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Rafael Correa, em Bogotá, em setembro de 2017. Raul ARBOLEDA / AFP

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou nesta quarta-feira "um complô político" por trás do mandado de prisão expedido contra ele pela Justiça equatoriana, durante entrevista concedida à agência AFP em Bruxelas, onde reside desde 2017.


"Há um roteiro, há todo um complô", argumentou, acusando o atual presidente Lenin Moreno de estar "por trás de tudo isso". Moreno foi vice-presidente de Rafael Correa de 2007 a 2013, antes de entrar em conflito com ele. Correa é acusado de ter ordenado a tentativa de sequestro de um oponente político em 2012. Responsável pela investigação, a juíza Daniella Camacho decidiu por sua prisão preventiva e alertou a Interpol.

A acusação desejava que Rafael Correa comparecesse "a cada 15 dias" perante o Tribunal Nacional de Justiça, a partir de 2 de julho. Mas, ao invés disso, o ex-presidente se dirigiu ao consulado equatoriano na Bélgica, onde vive há mais de um ano. A juíza Daniella Camacho decidiu então ordenar sua prisão.

O caso remonta à noite de 13 de agosto de 2012, na Colômbia. Fernando Balda, então membro do Partido Sociedade Patriótica 21 de janeiro (PSP), da oposição equatoriana, está em Bogotá. Cinco pessoas obrigam-no a entrar num carro. Uma hora e meia depois, a polícia intercepta o veículo e impede o sequestro.

Depois de seis anos de estagnação, a investigação sobre o caso foi desbloqueada em maio de 2018. O atual presidente equatoriano, Lenin Moreno, liberou informações confidenciais da Secretaria Nacional de Inteligência. Informações que teriam permitido à Justiça estabelecer um elo entre a tentativa de sequestro e Rafael Correa.

“Caso sem provas”

"Eu estou implicado em um caso sem provas, com base no testemunho de um policial que passou sete horas ontem com o promotor decorando a lição, dizendo que o presidente o chamou para raptar Balda ", disse o ex-presidente. "Há um roteiro já desenhado, eles querem me envolver neste processo, insisto, para que eu não possa voltar ao meu país antes de oito, dez anos", acrescentou.

Rafael Correa duvidou que a Interpol ou a Bélgica pudesse aceitar o mandado de prisão. "Interpol leva o seu tempo para analisar o caso e, se for um processo política, rejeita. Nós acreditamos firmemente que eles vão rejeitá-lo, porque não há nada mais político do que isso", disse o ex-presidente. Correa também disse que ele e seus advogados "não descartaram" a possibilidade de solicitar asilo político na Bélgica.

Em fevereiro, os equatorianos aprovaram por referendo um limite ao mandato presidencial, para impedir que Correa retornasse em 2021, um voto soando como uma vitória de Lenin Moreno em sua luta contra Correa. Durante o seu mandato, este último iniciou reformas, aumentou os gastos sociais, reduziu os lucros das companhias petrolíferas e suspendeu certos pagamentos de dívidas que considerava ilegítimas.

Após ser eleito, Moreno continuou a desmantelar o legado de esquerda de Correa, fazendo aberturas ao mundo dos negócios e à direita política.