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Na história da seleção argentina, a grande co-protagonista é a brasileira

Por Márcio Resende

A Copa do Mundo 2018 acaba, mas a exposição sobre a história da seleção argentina em figurinhas, é uma boa oportunidade para voltar à infância e orgulhar-se do passado da seleção brasileira sob o olhar argentino.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Com 600 figurinhas de 30 álbuns, a exposição LATE, no Museu da Casa Rosada, é um mergulho na história da seleção argentina, mas também na nossa própria história de vida. Afinal, qual menino não colecionou algum álbum de figurinhas sobre alguma Copa do Mundo? Em algum momento, sonhamos em completar um álbum enquanto sonhamos em ser campeões.

O grande protagonista por trás das figurinhas na Argentina é Jorge de los Ríos, simplesmente o autor de todos os álbuns entre 1962 e 1994, com exceção de 1986, ano em que não houve álbum na Argentina, justamente quando o país tornou-se bicampeão mundial.

Em entrevista à RFI, Jorge recorda que a primeira coleção feita na Argentina em caricaturas foi em 1967. Não foi um álbum sobre uma Copa do Mundo, mas foi o que mais vendeu: 10 milhões de pacotinhos, um recorde para a época. Esse, aliás, pela sua beleza, é álbum favorito dos colecionadores argentinos. Na capa desse álbum, Jorge desenhou um imaginário gol argentino na seleção brasileira. Hoje, aos 78 anos, o desenhista conta a importância do Brasil nos seus desenhos.

"O principal rival da seleção Argentina sempre foi o Brasil. Era o que mais vendia. São os dois expoentes maiores do futebol nas Américas e eu diria que do mundo também", considera.

Admiração mútua

Os ídolos da infância na Argentina tiveram como grandes rivais os ídolos dos brasileiros. E as criança de um país cresceram sob o mito da seleção vizinha. E todo mito é temido, sim, mas também admirado.

"No fundo, nós argentinos admiramos o jogo do Brasil. Admiramos essa plasticidade, essa criatividade que os jogadores brasileiros têm. Eu admiro o jogo do Brasil", confessa Jorge. "Um dos meus três filhos só assiste aos jogos da seleção brasileira. Não vê os da Argentina porque os considera entediantes. Diz que só gosta do futebol brasileiro", revela Jorge de los Ríos.

No embalo do sucesso do álbum de figurinhas deste Campeonato Mundial na Rússia, quem vier à Praça de Maio poderá entrar nesse mundo mágico e nostálgico. O nome da exposição também é um jogo. "LATE" vem do verbo "LATIR" em espanhol. Significa LATEJAR, PULSAR em português, assim como o coração dos torcedores. Mas é também uma gíria das crianças argentinas quando trocam figurinhas. "Essa eu tenho. Eu a tenho", indicam. Em espanhol, "La tengo". Abreviado: LATE.

Na exposição, há um álbum de 1979 em cuja capa aparece um Diego Armando Maradona como príncipe. Nem os argentinos ainda se atreviam a compará-lo com Pelé. "Aqui, nós o chamávamos de 'O Príncipe'. Ele ainda não era Rei. E você me dirá: 'Mas o Rei é Pelé'. Sim, é isso mesmo: o Rei é Pelé. Eu o desenhei tantas vezes. Eu o admiro profundamente. Eu o vi jogar. Extraordinário jogador. Tive essa sorte que nem todos têm. Eu vi o Pelé jogar. Vi o Maradona jogar. Vi o Garrincha jogar. Sensacional jogador", exclama Jorge.

Aparecem ainda os carrascos da seleção brasileira de 1990 na Itália: Maradona e Caniggia, com um único ataque em todo o jogo. "Nós dizemos que os brasileiros nos bombardearam naquele jogo. Bolas na trave. O goleiro argentino que defendia tudo. Um jogo que devia ter sido quatro gols a menos para a Argentina, terminou um a zero a favor da Argentina. Esse dia foi azar do Brasil", relembra. Sobre a importância dessa exposição inédita, Jorge conta que é "voltar ao passado". "E no caso dos turistas brasileiros, vão poder apreciar como um argentino viveu tudo isso", aponta.

Turistas brasileiros

"Achei a exposição muito rica em detalhes. Muitas peças que eu não imaginava encontrar em estado de conservação perfeito. Eles têm uma admiração sobre a nossa seleção brasileira e um grande respeito também. Eles nos veem como um rival à altura ou até superior", percebe a estudante paulista Juliana Portugal (24).

Já o mineiro Edgar Martins (51) viu a história da seleção argentina, mas também a sua própria. "Eu colecionei álbum de figurinhas há muito tempo. Quando a gente encontrava naquele pacotinho uma figurinha que a gente não tinha, era uma alegria tamanha. Então, a exposição me fez relembrar muito dessas coisas. Fez-me voltar lá atrás na raiz", emociona-se Edgar.

E nessa adoração infantil, em visita escolar à exposição, o estudante argentino Valentino (12) faz a sua aposta: "Eu queria que a Argentina ganhasse, mas acho que a França vai ganhar". A exposição é gratuita e fica até o dia 29 de julho. O visitante ainda ganha figurinhas exclusivas com alguns dos maiores jogadores de futebol da história argentina.

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