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Aliança do Pacífico: México, Chile, Colômbia e Peru discutem protecionismo

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Câmeras de segurança nas proximidades da cúpula da Aliança do Pacífico, no México. REUTERS/Carlos Jasso

Puerto Vallarta é a partir desta segunda-feira (23) a sede por dois dias da cúpula da Aliança do Pacífico, o grupo de livre-comércio formado por México, Chile, Colômbia e Peru, em um momento em que as posturas protecionistas afloram no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos.


Particiam do encontro o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e os chefes de Estado da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Peru, Martín Vizcarra, e do Chile, Sebastián Piñera.

Esses países representam 38% do PIB da América Latina e, em conjunto, são a oitava economia mundial, com uma população de 223 milhões de habitantes.

No encontro, era esperada a presença do presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, que foi convidado por Peña Nieto. Cancelou de última hora, porém, ao afirmar que não havia recebido o diploma formal que o reconhece como presidente eleito por parte do Tribunal Eleitoral, que tem tem até 6 de setembro para proceder a esse trâmite.
   
Diversificando o comércio

Para o México, a Aliança do Pacífico é importante, já que busca diversificar seu comércio, fortemente dependente dos Estados Unidos, para onde envia 80% de suas exportações.

O México atualmente revisa o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) com Estados Unidos e Canadá, em negociações que devem se estender até 2019.

Também atualizou o acordo de livre-comércio com a União Europeia, vigente desde 2000, e é parte do Tratado de Associação Transpacífico, que foi ratificado em março passado, sem os Estados Unidos.

No entanto, não é o único país que busca ampliar seu comércio. Brasil, Argentina e Uruguai, países membros do Mercosul, buscam uma aproximação maior da Aliança do Pacífico. Participarão da cúpula o presidente Michel Temer e seus colegas argentino, Mauricio Macri, e uruguaio, Tabaré Vázquez.

Os líderes de centro-direita veem com bons olhos o livre-mercado e representam uma renovação ideológica na região, com exceção de Vázquez, um dirigente de esquerda.

O chanceler do Chile, Roberto Ampuero, disse que confia na permanência do México na Aliança do Pacífico com o governo do também esquerdista López Obrador. "Os acordos que assinamos são acordos entre Estados e enfatizam elementos que vão muito além do que as distintas opiniões políticas dos governos nos momentos determinados", enfatizou.

A Aliança do Pacífico também chama a atenção internacional e, por ora, Austrália, Canadá, Cingapura e Nova Zelândia buscam se converter em Estados associados do grupo.

Representantes desses países mantiveram um encontro com as quatro nações-membro no domingo (22), quando "revisaram os acordos da negociação comercial que estes oito países realizam e acertaram a forma para concluir o processo ainda este ano", segundo um comunicado da Secretaria de Economia do México.

O líder do influente Conselho Coordenador Empresarial (CCE) do México, Juan Pablo Castañón, ressaltou esse interesse internacional. "Somos uma alternativa que dá ao mundo quatro países associados, que creem no livre comércio, se complementam e têm um enorme futuro na América Latina", afirmou à imprensa.
   
Desafio protecionista

Apesar do otimismo na Aliança do Pacífico, o grupo enfrenta desafios com as posturas protecionistas no mundo, em particular a dos Estados Unidos.

Este ano,o governo Donald Trump sobretaxou o aço do México, Canadá e da União Europeia, assim como vários produtos chineses, o que gerou represálias de seus sócios comerciais e o risco de uma guerra comercial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu sobre os riscos das tensões comerciais para a economia global.

"Com esta onda de protecionismo, onde todos os países estão se voltando para políticas mais nacionalistas, a Aliança é uma plataforma importante", declarou à AFP Manuel Valencia, acadêmico do Instituto Tecnológico de Monterrey.

Lançado em 2012, o grupo de livre-comércio representa 50% do comércio total da América Latina, e é o maior exportador global de truta, abacate, goiaba e metais como o cobre e o chumbo.

Ao mesmo tempo, é o quinto receptor de investimento estrangeiro direto global.