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Presidente do Equador visita Reino Unido em meio a boatos sobre entrega de Assange aos britânicos

O presidente do Equador, Lenín Moreno, iniciou uma visita ao Reino Unido durante o fim de semana, intensificando especulações de que o país estaria prestes a entregar o ativista Julian Assange às autoridades britânicas. O fundador do WikiLeaks está refugiado na Embaixada do Equador em Londres há seis anos.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O presidente do Equador, Lenín Moreno, está em Londres para participar da primeira Cúpula Mundial sobre Deficiência Física, organizada pelo governo britânico. Ele usa cadeira de rodas há 20 anos, depois de ter sido baleado em um assalto em Quito. A agenda oficial do presidente inclui ainda encontros com investidores aqui em Londres e em Edimburgo, na Escócia. Depois, ele segue para Madri, na Espanha, onde também pretende fechar acordos comerciais.

Desde que assumiu a presidência do Equador, em maio, Moreno vem fazendo declarações contra a presença de Julian Assange na embaixada em Londres. Ele disse que o ativista é uma “pedra no sapato” do país e um problema que herdou de seu antecessor, Rafael Correia. Em maio, Moreno deu ordens para retirar o acesso de Assange à internet e determinou que apenas os advogados do ativista podem visitá-lo na embaixada.

Além disso, nos últimos dias jornalistas de diversos países revelaram ter acesso a fontes confirmando que os dois governos estariam em intensas negociações para que o ativista seja entregue às autoridades britânicas. Em junho, pela primeira vez nestes seis anos, Assange, que é australiano, recebeu dois altos comissários de seu país, em mais um sinal de movimentação diplomática em torno do caso.

No entanto, no domingo (22), o Ministério das Relações Exteriores do Equador emitiu um comunicado negando que Lenín Moreno esteja em Londres também para discutir a questão do asilo a Assange. O comunicado afirma ainda que o assunto é complexo e envolve muitas partes e leis internacionais, e por isso “não há uma solução nem a curto nem a longo prazo”.

Equador concedeu asilo em 2012

Desde que foi retirado seu acesso à internet, as declarações de Assange vêm a público através de seus advogados e dos ativistas que organizam a campanha Free Assange, pedindo sua liberdade. O Equador concedeu asilo a Assange em 2012, e, em dezembro, fez dele um cidadão equatoriano, em uma tentativa de facilitar sua saída da embaixada com imunidade. Mas as autoridades britânicas ainda mantêm um mandado de prisão contra ele, por ter se negado a se render seis anos atrás, após um pedido de extradição para a Suécia, onde era indiciado por acusações de estupro.

Assange nega essas acusações e diz que tudo não passa de uma manobra para entregá-lo aos Estados Unidos, onde ele poderia ser julgado e até condenado à morte por ter tornado públicos documentos oficiais sobre o envolvimento americano na Guerra do Iraque. O fundador do Wikileaks acredita que o governo do Equador está sendo cada vez mais pressionado pelos Estados Unidos a entregá-lo às autoridades britânicas.

Segundo Assange, haveria até uma ameaça do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os equatorianos se apressem em expulsá-lo da embaixada. Os defensores de Assange afirmam que nem o asilo nem a cidadania podem ser revogados, sob as leis internacionais. Os advogados dele também têm tentado pressionar a ONU pelo lado humanitário do caso. Eles alegam que Assange está sofrendo de problemas de saúde física e mental por causa de seu confinamento e não estaria recebendo os cuidados médicos necessários.

Asilo foi concedido por Rafael Correa

De acordo com as declarações do presidente Lenín Moreno, Assange é realmente um problema para o país, que ele pretende resolver logo. O Equador é um país pequeno e sem grande destaque no cenário mundial, foi colocado em uma situação delicada diante de pesos-pesados da diplomacia internacional, cada um com seus próprios interesses.

Desde que Assange se refugiou na embaixada em Londres, o governo equatoriano já gastou mais de 5 milhões de dólares em segurança. O ex-presidente Rafael Correa, que concedeu o asilo e a cidadania ao ativista, afirmou que seu sucessor, Moreno, é mais subserviente em relação a essas grandes potências internacionais, principalmente os Estados Unidos. Mas, por enquanto, o que Julian Assange e seus advogados buscam é evitar qualquer acordo que faça com que ele acabe nas mãos das autoridades americanas.

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