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Nicarágua Médicos Daniel Ortega

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Médicos são demitidos de hospital na Nicarágua por socorrer feridos em protestos

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Protestos contra o governo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, já duram mais de cem dias. MARVIN RECINOS/AFP

Ao menos 40 médicos e enfermeiras do hospital público de Oscar Danilo Rosales, na cidade de León, no noroeste da Nicarágua, foram demitidos na sexta-feira (27) por prestar atendimento a manifestantes feridos nos protestos contra o governo do presidente Daniel Ortega. Nenhuma justificativa legal foi dada aos profissionais.


O chefe do departamento de cirurgia e endoscopia do hospital, Javier Pastora, declarou que os recursos humanos da instituição indicaram que as demissões aconteceram "porque fomos solidários e apoiamos os manifestantes".

O médico, que também foi demitido, trabalhava há 33 anos no sistema público de saúde da Nicarágua. Segundo ele, entre os despedidos há oito especialistas, três enfermeiras e um técnico de laboratório.

O cirurgião oncologista Aarón Delgado contou as controversas circunstâncias de sua demissão. "Estava em uma cirurgia quando chegaram dos recursos humanos para me dizer que fosse à direção porque estava demitido", revelou.

Já o pediatra Edgar Zúñiga, também despedido, denuncia a decisão como "arbitrária e sem justificativa". "Fomos demitidos apenas por pensar diferente, (por dizer) que na Nicarágua precisamos de democracia, liberdade, o fim da repressão e das mortes, e mais diálogo".

Um protesto foi realizado na sexta-feira diante do hospital para exigir que os médicos e enfermeiras sejam reintegrados.

Violação do direito ao trabalho

O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) condenou a demissão dos profissionais, alegando que ela viola o "direito ao trabalho". "O único responsável por este atropelo é o presidente Daniel Ortega, que pretende manter funcionários públicos submetidos ao seu sistema corrupto", criticou a organização em um comunicado.

León, um tradicional bastião sandinista, foi alvo de violentas incursões da polícia de choque e de paramilitares após o início dos protestos contra o governo, em 18 de abril.

Segundo grupos humanitários, a repressão aos protestos já deixou mais de 300 mortos e 2 mil feridos, muitos socorridos por médicos voluntários fora dos hospitais, diante da suposta recusa de órgãos públicos de saúde de prestar atendimento aos opositores de Ortega.

(Com informações da AFP)