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De uma garagem no Vale do Silício ao primeiro trilhão: Apple bate recordes em Wall Street

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Clientes na loja Apple na Grand Central Station de Nova York, em 1° de agosto de 2018. REUTERS/Lucas Jackson

A Apple, grupo californiano conhecido por ter revolucionado o mundo da computação e do celular com seu famoso iPhone, tornou-se nesta quinta-feira (2) a primeira empresa privada a alcançar o valor de mais de US $ 1 trilhão no mercado de ações.


O marco simbólico foi atingido quando a ação da Apple chegou a ser cotada pelo preço de US$ 207,05 em Wall Street. A PetroChina, empresa estatal chinesa, atravessou durante um breve momento esse limite em 2007, quando foi lançada no mercado de ações, mas logo recuou.

Embora tecnicamente esse passo seja meramente simbólico, corretores e investidores de Wall Street costumam apreciar o marco de números redondos. "A marca de US$ 1 trilhão é principalmente psicológica, envia uma mensagem de crescimento e importância para o mercado", analisou Howard Silverblatt, especialista em índices da S & P Dow Jones Indices.

Mas na sala de operações do LBBW Bank, em Nova York, "não houve nenhum entusiasmo especial", declarou Karl Haeling, especialista de mercados do banco. "Que a empresa valha US$ 990 bilhões ou US$ 1 trilhão no mercado de ações, isso não muda muito para os investidores", disse ele. "Essa é especialmente uma prova do quão importante a Apple tem sido na economia dos Estados Unidos.

Mais de 90 milhões de iPhones vendidos em 2018

O grupo voltou a demonstrar esta semana sua saúde financeira ao publicar seus resultados trimestrais, um desempenho que impulsionou o mercado de ações em suas duas últimas sessões. Os números anunciados na terça-feira impressionam: mais de 90 milhões de iPhones vendidos desde o início do ano, US$ 53,3 bilhões em vendas trimestrais, com um lucro líquido de US$ 11,5 bilhões.

"A Apple é uma empresa incrível", resumiu recentemente o CEO da Microsoft, Bill Gates, cujo gigante histórico da tecnologia e ex-grande rival da Apple vale atualmente US$ 818 bilhões em Wall Street.

Altos e baixos

Cotada na Bolsa de Valores desde 1980, a Apple nem sempre foi tão bem-sucedida, chegando a falir nos anos 1990. O grupo se beneficiou do sucesso de produtos como o MacBook, iPod, iPad e iPhone e de todos os serviços associados a eles. Desde então, vem registrando desempenhos recordes, trimestre após trimestre.

Confortavelmente instalada sobre enormes reservas de liquidez, a Apple também fez nos últimos anos muitos resgates de ações, aumentando automaticamente o valor de seu próprio título.

Os especialistas às vezes se preocupam que a marca Apple não lance outros produtos inovadores. E, regularmente, os mercados de ações ecoam rumores de um possível declínio nas vendas do iPhone, que respondem por mais da metade de seu faturamento, e sinalizam o mínimo sinal de fraqueza do colosso.

Para Benedict Evans, da empresa de investimentos Andreessen Horowitz e especialista no setor de tecnologia, é justamente essa capacidade de não fazer o que se espera, herdada de seu carismático fundador Steve Jobs, que se tornou o grande diferencial da marca Apple.

"A tendência de muitas pessoas na área de tecnologia em assumir que um produto da Apple poderá falhar porque [a empresa] fez escolhas que eles não teriam feito é uma das suas maiores vantagens competitivas", afirmou recentemente Evans em seu Twitter.