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Reunir famílias separadas na fronteira é papel do governo, diz juiz americano

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Donald Trump na Pensilvânia, em 2 de agosto de 2018. REUTERS/Leah Milli

O juiz que ordenou a reunificação de famílias separadas na fronteira por uma política promovida pelo presidente Donald Trump disse que é responsabilidade do governo norte-americano localizar os pais que foram deportados sem os seus filhos para evitar "órfãos permanentes".


"A realidade é que ainda há cerca de 500 pais que não foram localizados, muitos dos quais já foram retirados do país sem as crianças; tudo isso é resultado da política do governo de separar e depois de sua incapacidade e fracasso para rastrear e reunir", afirmou o magistrado Dana Sabraw, de San Diego. "A realidade é que para cada pai não localizado, haverá uma criança órfã permanente, e isso é 100% responsabilidade do governo", completou o juiz, citado por vários veículos de mídia.

Sabraw ordenou que o governo americano incumba um funcionário para a operação de encontrar os pais deportados de 410 crianças que ainda estão no país desacompanhadas. "Esta será uma tarefa importante e está claro que tem que haver uma pessoa encarregada", disse o juiz, que considerou "inaceitável" que até agora só tivessem sido localizados 13 pais.

"O juiz se recusa a aceitar que o governo escape do desastre que causou", disse Lee Gelernt, advogado da organização de direitos humanos ACLU, que lidera a ação judicial contra o governo americano.

Falta de informação

Em um relatório divulgado na quinta-feira (2), o governo americano sugeriu que a ACLU fizesse uso de sua rede de escritórios, ONGs e voluntários para estabelecer contato com os deportados e promover o encontro de pais e filhos. Ao mesmo tempo, sugeriu que a organização deveria proporcionar informação sobre as filiações, a fim de buscar a melhor maneira de reunificá-los.

Os 13 pais encontrados até agora foram localizados pela parte acusadora.

A ACLU, por sua vez, "deixou claro que fará tudo o que esteja a seu alcance para ajudar a encontrar os pais deportados, mas insiste que é o governo que deve se encarregar da tarefa de fazer isso”.

"Não somente foi esse governo que implantou uma prática inconstitucional de separação que levou à crise, mas também o governo dos Estados Unidos tem mais recursos do que qualquer ONG", afirmou o representante do grupo. "A parte acusadora espera que o governo dê passos significativos para encontrar esses pais por sua conta", completou.

A ACLU pediu mais informação para cooperar na tarefa. Porém, Gelernt assegurou que Washington retém informações que podem ajudar a localizar os pais deportados. “Cada dia que o governo se senta sobre esta informação é outro dia de sofrimento para essas famílias", disse.

Balanço atualizado

Em 26 de junho, o juiz Sabraw deu um mês de prazo para que o governo americano reunisse todas as crianças separadas de suas famílias. O governo garante que cumpriu a reunificação dos chamados "elegíveis", ou seja, adultos que reuniam os requisitos para receber os filhos.

Em um balanço entregue à corte na quinta-feira, consta a informação que de 2.551 crianças identificadas, com idades entre 5 e 17 anos, 1.979 já foram liberadas das instalações do Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR, na sigla em inglês). Desse total, 1.535 foram reunidas com seus pais e as 444 restantes se dividem entre as que foram entregues a outro representante da família, completaram 18 anos ou já haviam sido reunidas previamente.

As crianças ainda sob custódia do governo somam 572. Os pais de 34 desses menores renunciaram à reunificação para que seus filhos não sejam deportados junto com eles; os de 410 foram deportados e os de 68 ainda estão nos Estados Unidos sem serem localizados. Há ainda os filhos de pais "não elegíveis" por terem antecedentes criminais.