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Coworkings só para mulheres fazem sucesso em Nova York

Por RFI

Os espaços de coworking já se estabeleceram em todo o mundo como uma alternativa para profissionais freelancers, empreendedores ou até pequenas empresas. E agora esse tipo de prestação de serviço está evoluindo, principalmente nos Estados Unidos, com espaços de nicho ou que se dedicam a um tipo específico de profissional.

Natasha Madov, correspondente da RFI em Nova York

Os coworkings são grandes escritórios compartilhados, que alugam mesas ou pequenas salas para indivíduos ou pequenas empresas, por valores mais em conta do que os de salas comerciais regulares. Eles também promovem eventos para associados, criando uma espécie de comunidade em torno do espaço. Esse arranjo é muito atraente para jovens profissionais cansados de trabalhar em casa, e para empresas interessadas em aumentar sua rede de contatos, e explodiu em popularidade nos últimos anos.

Em 2010, haviam 600 coworkings no mundo todo, mas a previsão é que até o fim de 2018 esse número chegue a mais de 18.000 escritórios, um crescimento de 3000% em oito anos. Este ano, eles atenderão a um milhão e setecentas mil pessoas globalmente.O grande exemplo de sucesso é o WeWork, tem 270 filiais em 22 países, inclusive no Brasil, e atualmente vale 20 bilhões de dólares.

No Brasil, os coworkings também estão crescendo: em 2017 o país já tinha 810 espaços de coworking, o dobro em relação ao ano anterior, e cerca de 210 mil brasileiros passam por um coworking todos os meses. Agora para se diferenciar nesse espaço, é necessário buscar novos nichos, e é o que está acontecendo em Nova York, onde o WeWork nasceu.  

Homem não entra

Um dos destaques é o "The Wing", apenas para mulheres. Criado em 2016, o The Wing tem três endereços em Nova York, um em Washington, e tem sedes planejadas em San Francisco, Los Angeles, Seattle, Londres e Toronto. Em todos os endereços, vale a regra: homem não entra.

Além dos tradicionais espaços de trabalho, o The Wing oferece biblioteca, chuveiros, sala para mães tirar leite, espaço para fazer cabelo e maquiagem e um calendário de eventos que une aulas de arranjos florais a palestras de personalidades como a atriz Jennifer Lawrence e a ex-candidata à presidência americana Hillary Clinton.

A aposta deu certo: a empresa, que se considera mais como um clube do que um coworking, tem uma lista de espera com doze mil nomes e a própria WeWork investiu US$ 32 milhões no The Wing.

Escritórios para escritores

Escritores têm algumas opções, como The Writers Room e Paragraph, que prometem silêncio, café e acesso que funciona 24 horas. Os interessados têm que passar por um processo de seleção para provar que trabalham com escrita. A lista é extensa: só em Nova York existem coworkings exclusivos para vários setores: direito, finanças, saúde, turismo, terceiro setor e até robótica.

A própria prefeitura da cidade oferece um coworking no descolado Brooklyn, focado em profissionais de mídia e entretenimento. Essa é uma tendência nacional. Na Califórnia, por exemplo, é possível encontrar um coworking até para quem quer empreender com a legalização da maconha no estado.

Segundo os associados desses coworkings, um dos grandes benefícios é a criação de um senso de comunidade e de rede de apoio entre os usuários do espaço. Um advogado, por exemplo, pode conseguir indicações e parcerias com mais facilidade do que se trabalhasse em uma sala comercial normal, sozinho.

Outros estilos de coworking

No outro extremo estão os profissionais que não necessitam de uma comunidade. Eles só precisam de um espaço para trabalhar de vez em quando, ou não querem trabalhar em casa e também não estão dispostos a usar cafés com wi-fi como escritório improvisado. É o caso de empresas como Croissant e Deskpass.

Em vez de ter endereços próprios, eles se unem a escritórios e outros coworkings e oferecem mesas e espaços ociosos nesses parceiros, que o associado reserva por meio de um aplicativo e paga por hora utilizada. É mais barato que um coworking tradicional, cujos preços em Nova York começam em US$ 400 por mês, e permite que os escritórios ganhem dinheiro com mesas que de outra forma ficariam vagas.

Outra startup foi atrás de espaços vazios em restaurantes. O Spacious aproveita o horário em que restaurantes sofisticados estariam fechados, e aluga o espaço, montando mesas de trabalho, e oferecendo café e wifi grátis. Eles funcionam como coworking até o horário em que o restaurante precisa abrir para o jantar, por volta das 17h.

Atualmente, a opção está disponível em Nova York e São Francisco, podendo chegar a 100 restaurantes até o fim do ano. Os fundadores dizem que achavam que ia ser difícil convencer os donos dos restaurantes a entrar no serviço, mas descobriram o oposto: eles adoraram a ideia, já que significa faturamento extra quando eles estão fechados.

 

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