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Nicarágua Direitos Humanos Repressão

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“Não há mais segurança na Nicarágua”, diz militante ao fugir do país

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O diretor da ANPDH, Alvaro Leiva, temia ser detido acusado de "terrorismo" por suas atividades como defensor dos direitos humanos. MARVIN RECINOS AFP

A Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH), que se destaca no resgate de manifestantes feridos, detidos ou hostilizados durante protestos contra o governo de Daniel Ortega, fechou seus escritórios devido a sérias ameaças e à pressão de grupos armados ilegais que vinha sofrendo. Em entrevista exclusiva à RFI, o diretor da organização, que se refugiou na Costa Rica, explica que suas equipes estavam correndo risco no país.


A ANPDH vinha denunciando há dias a existência de uma "profunda crise" de violação dos direitos humanos na Nicarágua, desde o início dos protestos, em 18 de abril. Segundo o grupo, mais de 400 pessoas já morreram vítimas da repressão.

“Nós vivemos uma onda de violência contra todos os cidadãos, que atinge também os defensores dos direitos humanos. A situação ficou tão grave que eu temia ser preso a qualquer momento, acusado de terrorismo, pelo simples fato de promover e defender os direitos humanos”, relatou por telefone o diretor da ANPDH, Alvaro Leiva. “O escritório foi temporariamente fechado diante da pressão de grupos paramilitares que, de forma permanente, nos assediavam, vigiavam e restringiam nosso trabalho”, contou o militante, que já está refugiado na Costa Rica.

Leiva explica que deixar o país foi a única solução encontrada. “Não existe mais segurança para exercer nosso trabalho social”, lamenta. “Tivemos que mudar a maneira de atuar para proteger nossas vidas e garantir a nossa segurança”, analisa o militante.

“Esta profunda crise de violação dos direitos humanos gerou dor, luto, derramamento de sangue e a perda da paz social na Nicarágua, além de provocar um grande número de migrações para países vizinhos”, alerta Leiva. A Costa Rica, onde se refugiou, é um dos principais destinos dos nicaraguenses nesse momento. Segundo números divulgados na semana passada pelas Nações Unidas, pelo menos 23 mil se refugiaram em solo costa-riquenho desde abril.

Leiva não sabe quando poderá voltar para seu país. Ele explica que a ANPDH pretende continuar atendendo as denúncias de vítimas, mas agora apenas pela internet.