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"Rever acordos de paz com as FARC é um risco para novo presidente da Colômbia”, diz historiador

Por Elcio Ramalho

O novo presidente colombiano Ivan Duque assume o cargo nesta terça-feira (07), em uma cerimônia em Bogotá. Eleito com 54% de votos no segundo turno, ele tem como grandes desafios unificar um país dividido e cumprir sua promessa de fazer uma revisão dos acordos de paz assinados pelo seu antecessor, Juan Manuel Santos.

Duque representa a volta da direita ao poder depois de oito anos de governo de Santos, premiado com o prêmio Nobel da Paz após ter concluído as negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Rever os acordos é uma promessa de campanha. Se ele vai conseguir e as implicações disso é uma outra questão”, aponta Luís Fernando Ayerbe, professor de História e de Relações Internacionais da UNESP.

O novo presidente, um advogado de 42 anos, tem como padrinho político o ex-presidente conservador Álvaro Uribe, que rompeu com Santos durante o diálogo do governo com as Farc.  Uribe se sentiu traído quando Santos, seu ex-ministro da Defesa, colocou as negociações com a narcoguerrilha em sua agenda política.

Com Duque, os acordos de paz voltam ao centro de discussões, mas rever o processo representa um sério risco não apenas político, mas também para o progresso econômico o país, segundo Ayerbe.

Nos últimos anos, a Colômbia exibiu um crescimento de 3% a 4% ao ano, que a coloca entre as economias mais dinâmicas da América do Sul.

“A Colômbia tem uma trajetória econômica de mais estabilidade, de um modelo mais liberal. A paz tinha a implicação de resolver um problema de viabilidade e projeção do capitalismo colombiano. Tentar rever um acordo que custou tanto, por uma questão ideológica, vai ser muito complicado”, avalia.

O especialista prevê que Ivan Duque deverá chegar a um denominador comum com a guerrilha, que virou partido político e tem representantes no Congresso.

Ayerbe acredita que Duque deverá chegar a um “meio termo” com os representantes das FARC para, ao mesmo tempo, não decepcionar seu eleitores, mas também levar em conta a parcela da população que não pretender voltar atrás em uma página considerada virada da história do país.

“Duque poderia garantir algumas salvaguardas estabelecidas em termos de direito como a manutenção do partido ou a anistia estabelecida. De repente, transformar em réus os que foram anistiados”, exemplifica. De qualquer forma, qualquer decisão terá um custo político, diz Ayerbe, que prevê ainda um “endurecimento” de Duque em relação ao Exército da Libertação Nacional (ELN), uma guerrilha ainda ativa no país.  

“Por isso é contraditório. Ele tem que resolver essa pendência com o ELN e acho que vai ter uma postura diferente de Santos, que não diminuiu a repressão, mas foi condescendente em dar oportunidade para uma negociação. Duque vai radicalizar”, afirma.  

“Trazer o tema da revisão dos acordos de paz com as Farc neste contexto não será fácil politicamente”, acrescenta.

Venezuela

Fora das fronteiras colombianas, o assunto de política externa mais urgente de Ivan Duque será a Venezuela. A crise no país vizinho tem forte impacto na Colômbia, que recebe muitos imigrantes que fogem da repressão e da grave situação econômica que atinge o governo de Nicolás Maduro. Como candidato, Duque prometeu ajudar o país vizinho a voltar a ter eleições “livres”.

“Há uma preocupação que a Venezuela não se torne um país como a Síria, em convulsão, e que tenha mais impacto nos países fronteiriços. “A postura de Santos era bastante contida, evitando radicalizar para que a Venezuela não explodisse”, lembrou.

“Duque certamente vai colocar o tema da democracia e se alinhar com Trump. Ele vai tentar forçar uma mudança de regime político na Venezuela sem tentar uma intervenção militar, mas com um isolamento político”, diz.  

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