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Venezuela América Latina Atentado

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Assembleia venezuelana deve punir opositores acusados de participar de "atentado"

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O presidente venezuelano fez, nesta terça-feira (7), um pronunciamento à nação em que apresentou o que chamou de "provas" da tentativa de "magnicídio". REUTERS

A Assembleia Constituinte da Venezuela iniciará um processo para submeter à justiça deputados opositores acusados de participação no suposto atentado contra o presidente Nicolás Maduro, no último sábado (4). O presidente da Constituinte, Diosdado Cabello, convocou para esta quarta-feira (8) uma sessão que terá como ponto único a "revogação da imunidade parlamentar dos deputados envolvidos no magnicídio frustrado" contra Maduro. "A Justiça chega e vem com tudo", declarou Cabello.


Na terça-feira (7), o presidente venezuelano apresentou durante um discurso na televisão o que chamou de "provas" da tentativa de "magnicídio". Em seu pronunciamento à nação, Maduro acusou o deputado Juan Requesens e o ex-presidente do Parlamento, Julio Borges, - ambos do partido Primeiro Justiça - pelo atentado que no sábado passado teria utilizado drones carregados com explosivos, durante uma parada militar em Caracas.

"Todas as declarações (dos seis detidos como autores do atentado) apontam para Julio Borges, que vive em uma mansão em Bogotá amparado pelo governo da Colômbia. Sabemos que ele tem a covardia para participar deste tipo de evento", declarou Maduro. Sobre Requesens, ele declarou se tratar de seus adversários "mais loucos e psicopatas".

Após a mensagem de Maduro, o partido Primeiro Justiça denunciou a detenção de Requesens pelo serviço de inteligência da Venezuela. O deputado de 29 anos havia discursado na terça-feira no Parlamento convocando a população a "tirar Nicolás Maduro, a acabar com esta tragédia".

O presidente afirma que Borges e Requesens foram citados pelo sargento da reserva Juan Carlos Monasterios, um dos supostos autores do ataque, em depoimento às autoridades. Maduro apresentou ainda um vídeo que mostra Monasterios afirmando que Requesens, "por intermédio de Julio Borges", administrou sua ida para a Colômbia para treinar os autores do atentado.

No exílio, Borges - uma das figuras mais proeminentes da oposição venezuelana - declarou no Twitter que "em nenhum país do mundo se acredita nesta farsa do atentado. "Todos sabem que isto é uma montagem para perseguir e condenar os que são contrários a esta ditadura", acrescentou.

O governo em Caracas garante que os autores materiais do atentado foram treinados em uma fazenda na localidade colombiana de Chinácota, com dinheiro de pessoas que residem no estado da Flórida, nos Estados Unidos.

 

Tensão com os vizinhos

A crise política e social na Venezuela já gera grandes tensões com seus vizinhos latino-americanos. Em seu pronunciamento de ontem, Maduro voltou a acusar o então presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de orquestrar o ataque contra ele. Santos entregou o poder nesta terça-feira (7) para Iván Duque, que terá que administrar as relações com os vizinhos venezuelanos. Além de abrigar um dos principais opositores de Maduro, a Colômbia também tem que lidar com os mais de meio milhão de imigrantes venezuelanos que chegaram em seu território em busca de comida e trabalho.

A questão da imigração também gera tensões com o Brasil, que tem recebido em torno de 500 imigrantes por dia através da fronteira da Venezuela com Roraima. No último domingo (5), um juiz federal determinou o fechamento da fronteira do estado para imigrantes venezuelanos. Um dia depois a decisão foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal, que a considerou a medida inconstitucional.