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Venezuela Política monetária Nicolás Maduro

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“Vivemos um dia de cada vez”, dizem venezuelanos após estreia de nova moeda

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Alguns venezuelanos conseguiram retirar as primeiras notas de "bolivar soberano" nos poucos caixas eletrônicos que funcionaram nessa segunda-feira. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

As novas cédulas de bolívar sem cinco zeros entraram em vigor nesta segunda-feira (20) na Venezuela. A medida, primeira de um questionado plano de reforma econômica do presidente Nicolás Maduro, assusta a população, já traumatizada por uma crise que levou milhões de venezuelanos a abandonar o país.


Depois de um fim de semana marcado pelo comércio fechado, nesta segunda-feira poucos comerciantes abriram seus estabelecimentos e apenas alguns caixas eletrônicos funcionaram. Com os bancos fechados pela manhã, os venezuelanos passaram esse primeiro dia de 'bolívar soberano’ na incerteza.

“Compramos comida e produtos de primeira necessidade para podermos aguentar pelo menos uma semana, pois não sabemos o que vai acontecer na terça-feira”, relata Luisa, moradora de Caracas, em entrevista à RFI. “Não sabemos quais são os comércios que vão abrir e estamos com medo. Não temos confiança nas decisões que o governo vai tomar, já que desde o ano passado temos passado momentos difíceis. É cada mais complicado comprar comida para alimentar nossa própria família”, conta.

Outros reclamam da falta de informação sobre a nova moeda. “A verdade é que não teve nenhuma preparação para essa conversão monetária. O que nos dizem é muito vago. Sabemos apenas que retiraram 5 zeros do Bolivar”, explica à RFI Maria Carolina, que também mora na capital. “Não sabíamos o que fazer nessa segunda e, na terça-feira, quando todo o comércio estará aberto, vai ser pior ainda. Vamos vivendo um dia de cada vez”, lamenta.

O 'bolívar soberano' se baseia no 'petro', criptomoeda com a qual Maduro busca liquidez. Um petro equivale a 60 dólares, e é cotado em função do barril do petróleo venezuelano. O presidente garantiu que assumirá por 90 dias o diferencial do aumento salarial na "média e pequena indústria".

Greve foi convocada

Em protesto pelo plano econômico de Maduro, três dos principais partidos de oposição convocaram uma greve de 24 horas para esta terça-feira. Mas não está claro como a greve será articulada sem a participação de outros partidos opositores.

Para o economista Luis Vicente León, uma paralização do país é inviável. “Deveriam tem feito uma mobilização mais simbólica, de apenas algumas horas, pois a maioria da população não tem como viver vários dias sem trabalhar. Ganham por dia e compram a comida com o salário que ganharam no final do dia. Então é difícil manter uma greve muito tempo”, analisa. “Além disso, a povo praticamente não acredita mais na oposição. E mesmo se rejeitam totalmente Maduro, não confiam nos líderes opositores que estão convocando essa mobilização”, conclui.