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Manifestação na Argentina pede fim da imunidade parlamentar de Cristina Kirchner

Depois de três semanas de depoimentos, delações e prisões, a Justiça argentina conseguiu traçar um mapa sobre o maior caso de corrupção da história do país. Nesta terça-feira (21), deve haver uma nova delação, a do ex-secretário de Obras Públicas José López, que acusa o casal Kirchner como o beneficiário final do esquema. Em frente ao Congresso, uma marcha tentará pressionar senadores a retirarem a imunidade parlamentar da ex-presidente e senadora Cristina Kirchner.

Marcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
 
Os manifestantes exigem que os senadores argentinos aprovem a lei que permite recuperar bens adquiridos com dinheiro da corrupção. O protesto também pede o fim da imunidade parlamentar de Cristina Kirchner, acusada pela Justiça de liderar o esquema de corrupção.
 
Na quarta-feira (22), o Senado vai analisar o pedido da Justiça para fazer operações de busca e apreensão nas propriedades da senadora, que tem foro privilegiado. Há três semanas, os senadores peronistas usam artimanhas para não tratarem dessa questão.

Opositores acusam o Senado de impedir a Justiça de agir, protegendo Cristina Kirchner - outro motivo que leva os manifestantes para as ruas. 

Senadores peronistas resistem
 
Depois de 12 anos de governos Kirchner, muitos senadores argentinos podem estar direta ou indiretamente envolvidos no esquema. Alguns deles foram governadores entre 2003 e 2015, período em que Néstor e Cristina Kirchner governaram. E outros senadores peronistas respondem aos atuais governadores que também podem aparecer envolvidos nas delações.
 
Quem controla a maioria no Senado são os peronistas. Para autorizar uma operação de busca e apreensão basta uma maioria simples que deve ser alcançada na quarta-feira, mas para retirar a imunidade parlamentar de Cristina, são necessários dois terços do Senado, o que não deve acontecer.

Delação crucial
 
O país vive uma onda de delações de empresários e de ex-membros dos governos Kirchner. Nesta terça-feira, o ex-secretário de Obras Públicas José López pode se tornar um novo delator, uma confissão que pode ser letal para prefeitos e governadores que participaram do esquema de obras públicas para os seus municípios ou para as suas províncias

José López foi secretário de Obras Públicas do primeiro ao último dia dos governos Kirchner. Acima dele, só há o ministro do Planejamento, Julio de Vido, e Cristina Kirchner, acusada de liderar o esquema.
 
López já confessou ter participado do mecanismo como arrecadador do dinheiro exigido aos empresários e entregue diretamente aos Kirchner. Nas próximas horas, deve ampliar essa confissão. O ex-secretário já está em um lugar secreto, sob proteção máxima dentro do programa de proteção a testemunhas, tamanho o risco de vida que corre ao falar.

Caça ao tesouro
 
O que está acontecendo na Argentina é inédito: as confissões revelam um mecanismo de arrecadação semanal de dinheiro de cada ministério. Por enquanto, as investigações se baseiam nas Obras Públicas e na Energia. Mas começa a investigação sobre Transporte. Só nesses três setores, os cálculos apontam a US$ 36 bilhões de dólares roubados em 12 anos; o equivalente a 7% do PIB argentino. 
 
Enquanto isso, acontece uma a caça ao tesouro no país. A Justiça acredita que parte do dinheiro continua no país e estaria escondido em gigantescos cofres adquiridos de bancos que os Kirchner teriam provavelmente instalado sob a terra. O montante também poderia estar em propriedades no nome de outras pessoas. 
 
Um ex-membro do governo contou que todas essas malas de dinheiro eram levadas pelo avião presidencial à Patagônia. O piloto do avião também contou que via sempre malas que iam cheias e que voltavam vazias.
 
O governo habilitou um número especial com uma recompensa para quem der pistas verdadeiras de onde está a fortuna roubada. Centenas de ligações indicaram cerca de 70 dados verossímeis, 30 deles já sob averiguação.
 
A outra linha de investigação aponta para a rota internacional: bancos offshore e propriedades no exterior. Um dos delatores é Ernesto Clarens, acusado de ter criado a engenharia financeira capaz de levar boa parte da propina para fora do país.

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