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Agência da ONU pede que Equador e Peru liberem entrada de venezuelanos sem passaporte

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Migrantes venezuelanos esperam com suas malas diante da ponte de Rumichaca, na fronteira da Colômbia com o Equador REUTERS/Luisa Gonzalez/File Photo

Numa tentativa de diminuir o fluxo migratório vindo da Venezuela, Equador e Peru passaram a exigir a apresentação de passaporte aos venezuelanos que pretendem cruzar suas fronteiras. A representante da Agência da Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Yukiko Iriyama, pediu que Lima e Quito anulem a medida e liberem a passagem dos migrantes sem o documento.


Com informações de Carlos Pizarro e da enviada especial a Rumichaca Marie-Eve Detoeuf

De acordo com a ONU, desde o início da crise venezuelana, mais de 2 milhões de pessoas já fugiram do país. A maioria tem como destino Colômbia e Brasil, mas diante da resistência dos dois países vizinhos, com críticas do governo colombiano e ataques por parte de brasileiros em Roraima, muitos tentam migrar para o Peru ou o Equador, atravessando o território colombiano.

No entanto, tanto Quito quanto Lima passaram a restringir a entrada dos venezuelanos, exigindo a apresentação de passaporte na fronteira, o que tem provocado tensões e desespero dos milhares de migrantes que se amontoam nas portas da Equador e do Peru.

“Isso é injusto. Qualquer um que não seja venezuelano passa pela fronteira apenas mostrando uma cédula de identidade”, declarou uma refugiada diante da ponte de Rumichaca, que separa a Colômbia do Equador. “Apenas os venezuelanos são tratados dessa maneira”, reclama outra migrante, lembrando que “o pior nessa história é que a Venezuela abriu suas portas a todos, vindos de todos os países, durante muito tempo”.

Além de se sentirem discriminados, os venezuelanos apontam as dificuldades para se obter um passaporte em um país em plena crise. Muitos alegam que sem pagar suborno é praticamente impossível emitir o documento.

Venezuelanos precisam da proteção internacional

A situação começa a preocupar a comunidade internacional. Em entrevista à RFI, a representante adjunta do escritório da Acnur em Bogotá, Yukiko Iriyama, pediu que as fronteiras sejam liberadas. “Nós sabemos que atualmente é muito difícil e muito caro para se conseguir um passaporte na Venezuela. Além disso, o processo de obtenção do documento é demorado”, explicou. “Então, estamos pedindo que todos os países da região deixem as pessoas entrarem sem passaporte, já que eles não estão fugindo porque querem, e sim porque são forçados. Há muitos que precisam de uma proteção internacional e querem obter o status de refugiados”, explica a representante da Acnur.

O chanceler do Peru, Néstor Popolizio, defendeu na terça-feira (21) a exigência de passaporte aos venezuelanos que fogem da crise em seu país, alegando que muitos estão apresentando identidades falsas na fronteira. "O Peru é um país que seguirá recebendo os venezuelanos. As medidas adotadas são para ordenar a imigração em termos de segurança e regulamentação", explicou o representante da diplomacia.

A Acnur teme que, diante da restrição da entrada nos países da região, os migrantes tentem travessias ilegais. “Nossa maior preocupação é que as pessoas comecem a pegar rotas perigosas”, alerta Yukiko Iriyama.