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Risco de represálias da UE pode reduzir impacto de acordo EUA-México

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou nesta segunda-feira (27) para o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto para celebrar a conclusão do acordo comercial entre os dois países. REUTERS/Kevin Lamarque

Estados Unidos e México anunciaram nesta segunda-feira (27) a conclusão de um “bom” acordo comercial entre os dois países. O especialista francês Grégory Vanel, professor da Universidade de Grenoble, avalia que o impacto desse acordo poderá ser relativo devido ao “conflito dos Estados Unidos com a União Europeia e os riscos de represálias europeias na indústria automobilística”.


O professor Grégory Vanel, entrevistado pela RFI, considera a assinatura do acordo uma “vitória” inegável de Trump do ponto de vista “doutrinário”. O presidente americano fez efetivamente o que tinha prometido, “mas daí a dizer que a renegociação do atual tratado de livre comércio (Nafta) terá o impacto que ele deseja sobre o emprego, o crescimento e mesmo sobre a fabricação de produtos americanos como os automóveis, eu espero para ver”, relativiza.

Segundo o especialista francês, a taxa de câmbio é um dos fatores mais importantes nos acordos comerciais e o dólar vem subindo constantemente, justamente em consequência da política econômica de Trump. Além disso, a produção mundial é pilotada por grandes firmas transnacionais para as quais a existência ou não de tarifas alfandegárias “tem um impacto marginal sobre a repartição do valor agregado ao longo da linha de produção”.

Algumas empresas americanas “poderão até voltar a implantar algumas de suas fábricas nos Estados Unidos, mas poderão transferir outras”, nesse contexto de guerra comercial de Washington com a União Europeia e China, entre outros.

Negociações com o Canadá

O acordo entre os Estados Unidos e o México foi negociado entre as equipes do presidente Trump e do atual presidente mexicano Peña Nieto. Representantes do presidente eleito, Andrès Manuel Lopez Obrador, que assume em dezembro, também participaram das discussões e celebraram o tratado.

As conversas com o Canadá, que também integra o Nafta sobre um novo pacto regional de livre-comércio começarão em breve. A ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland, vai hoje a Washington para negociar novas regras comerciais com os Estados Unidos. Para o México é importante que o Canadá se junte ao novo acordo.

O presidente Peña Nieto lembrou o "árduo" caminho que seu país e os Estados Unidos atravessaram em relação ao Nafta desde que Trump chegou ao poder. "A chegada há pouco mais de um ano e meio do novo governo dos Estados Unidos francamente semeou a incerteza e a dúvida sobre o que traria à relação comercial entre o México, os Estados Unidos e o Canadá", disse Peña Nieto.

Detalhes do acordo ainda são desconhecidos

Enquanto as negociações com o Canadá não forem concluídas, os detalhes do acordo firmado entre os governos americano e mexicano não serão revelados. O Nafta está sendo renegociado desde agosto de 2017 por insistência de Trump. O presidente americano considera o tratado "um desastre" para seu país. Ele ameaçou abandoná-lo ou fazer acordos separadamente com cada um dos dois sócios.

As regras de origem na indústria automobilística foram um dos grandes entraves nas negociações bilaterais. Os Estados Unidos querem normas mais rígidas, tirando do México as vantagens decorrentes dos baixos salários e do comércio livre de tarifas. Segundo a imprensa, o novo acordo aumentará o requisito de conteúdo regional em veículos produzidos na América do Norte, passando dos atuais 62,5% para cerca de 70%. Além disso, se exigirá que 40% do valor venha de zonas com salários de cerca de US$ 16 a hora.