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Argentina Corrupção Suborno Cristina Kirchner Processo Justiça

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Ex-presidente Cristina Kirchner é processada em caso de subornos na Argentina

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O casal Kirchner, em Buenos Aires, 1° de abril de 2008. ©EUTERS/Marcos Brindicci

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner foi processada, com um pedido de prisão preventiva, nesta segunda-feira (17) em um grande escândalo de subornos em obras públicas conhecido como "Cadernos da corrupção", segundo informações da mídia local.


O caso envolve dezenas de empresários e ex-funcionários do governo. Com este, Cristina Kirchner (presidente de 2007 a 2015) passa a responder a seis processos, mas continuará em liberdade por ter foro privilegiado por ocupar o cargo de senadora na Argentina.

O juiz Claudio Bonadio suspeita que ela seja a responsável, junto com seu marido, Nestor Kirchner, presidente argentino de 2003 a 2007, de um sistema de corrupção no qual empresários teriam subornado funcionários do governo em troca de contratos públicos.

O anúncio de sua acusação como "chefe de uma associação ilegal" acontece um dia antes da terceira convocação de Cristina Kirchner perante o juiz Bonadio.

O escândalo dos "Cadernos de corrupção" irrompeu no dia 1º de agosto após a publicação do conteúdo de anotações nas quais o motorista de um vice-ministro detalha supostos sacos de sacos de dinheiro, destinados a membros da administração Kirchner, enviados por empresários de obras públicas.

Jornalista argentino conta à RFI como chegou aos "cadernos da corrupção" do casal Kirchner

Oito cadernos escolares com detalhes minuciosos de retiradas e entregas de grandes somas de dinheiro entre 2005 e 2015, durante os governos do falecido Nestor Kirchner e de sua mulher, Cristina, estão na raiz de um escândalo espetacular que sacode a Argentina. As suspeitas respingam em uma empresa ligada à família do atual presidente Maurício Macri. A RFI falou com Diego Cabot, jornalista que denunciou os chamados “cadernos da corrupção”.

O próprio autor das anotações, o motorista Oscar Centeno, está entre os indiciados. Nesta quinta (2), ele depôs diante do juiz Claudio Bonadío em um caso que corre sob segredo de Justiça. Segundo a Procuradoria, os supostos subornos teriam alcançado cerca de US$ 160 milhões. Até agora, foram realizadas 34 buscas, com apreensão de 14 automóveis, aproximadamente US$ 50 mil em espécie e dispositivos de informática.

Entre os detidos estão Roberto Baratta, ex-secretário de coordenação do ex-ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido, preso por suposta corrupção, os empresários Gerardo Ferreyra, da Electroingeniería, Javier Sánchez Caballero, da construtora Iecsa, e Rafael Llorens, ex-secretário legal do Planejamento Federal. A Iecsa pertence a Ángelo Calcaterra, primo do presidente Mauricio Macri.

De próprio punho, Oscar Centeno, ex-motorista de Baratta, relatou com riqueza de detalhes o transporte de sacolas supostamente repletas de milhões de dólares para as residências do casal Kirchner.

As anotações foram obtidas por Diego Cabot, repórter do jornal La Nación, graças a uma fonte. O jornalista conta que, “iniciado apenas como um diário de bordo, com o tempo o motorista se deu conta de que estava buscando dinheiro de empresas contratadas pelo Estado e entregando as quantias em dois ou três locais nas vizinhanças da residência oficial de Los Olivos, onde vivia o casal presidencial, ao apartamento particular dos Kirchner e a um outro carro do gabinete de ministros”.

“As anotações também estabeleceram um registro com nomes de funcionários, relações com o governo e empresas. Horários, datas, modos de entrega do dinheiro, as quantias em espécie, se eram em maletas”, disse o jornalista à RFI. “Fui construindo uma trama que revela a participação do círculo presidencial”, acrescentou.

(Com informações da AFP e do correspondente da RFI em Buenos Aires)