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Comunidade internacional pressiona Maduro após suposto suicídio de opositor

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Velório do vereador opositor de Maduro, Fernando Alban, na Assembleia Nacional de Caracas, Venezuela, 9/10/2018 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O governo venezuelano enfrentou nesta terça-feira (9) cobranças da comunidade internacional para esclarecer a morte de um vereador da oposição que, segundo as autoridades de Caracas, cometeu suicídio na prisão, embora seus companheiros aleguem que ele tenha sido assassinado. 


O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU pediu nesta terça-feira uma "investigação transparente" sobre as circunstâncias da morte do vereador Fernando Albán. "Ele se encontrava detido pelo Estado que tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal (...). Nós pedimos uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias de sua morte, já que existem informações contraditórias sobre o ocorrido”, declarou uma porta-voz do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, em coletiva de imprensa em Genebra.

A União Europeia pediu clareza sobre o caso. "Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán", afirmou o comunicado do escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também pediu que Caracas liberte "todos os presos políticos".

Fernando Albán estava sereno e calmo

A Arquidiocese de Caracas, cujo trabalho social estava ligado ao vereador, levantou dúvidas sobre a versão do suicídio. "Até domingo (7), sabia-se que ele estava sereno e calmo, e até enviou diretrizes para sua equipe para que eles continuassem trabalhando para os pobres", declarou a arquidiocese, muito crítica do governo.

O advogado de Albán, Joel García, disse aos jornalistas que não se pode afirmar ou negar que foi um suicídio. "Como vamos falar sobre suicídio se é uma pessoa que acabou de morrer? A primeira coisa que qualquer órgão policial deve dizer é que há uma investigação", enfatizou. Segundo o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, Albán cometeu suicídio na segunda-feira na sede do serviço de inteligência. Seu partido de Albán, Primero Justicia, afirmou que se trata de um assassinato.

Fernando Albán, vereador do município Libertador, na região de Caracas, foi detido na última sexta-feira (5) acusado de participar da explosão de dois drones perto do local em que Maduro fazia um discurso em 4 de agosto, durante um desfile militar na capital.

Saab explicou por telefone à rede de televisão estatal VTV que Albán "solicitou ir ao banheiro, e estando lá, se jogou pela janela do décimo andar". O ministro do Interior e da Justiça, Néstor Reverol, afirmou que o vereador se suicidou "no momento em que seria trasladado ao tribunal".

A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán

Nicolás Maduro responsabilizou como autor intelectual do suposto atentado frustrado o deputado Julio Borges, fundador do Primero Justicia e exilado na Colômbia. "A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán", reagiu Borges no Twitter, lembrando que o vereador havia viajado a Nova York na semana passada para visitar seus filhos e o acompanhou às Nações Unidas.

“Sua morte não vai ficar impune", acrescentou o deputado, que Maduro acusa de fazer parte de uma trama para derrubá-lo com a ajuda de Estados Unidos e Colômbia. O presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, Bob Corker, em visita em Caracas, disse que a morte de Albán é "perturbadora". "O governo tem a responsabilidade de garantir que todos entendam como isso aconteceu", escreveu no Twitter.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou a morte do opositor, "responsabilidade direta de um regime torturador e homicida", escreveu no Twitter. O ex-candidato presidencial Henrique Capriles, membro do partido de Albán, também afirmou que o ocorrido "é total responsabilidade do regime". "Ele nunca poderia ter atentado contra sua vida", ressaltou no Twitter.