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Migrantes hondurenhos fazem pausa para exames médicos antes de seguir caravana

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Uma imigrante de Honduras esfrega a cabeça enquanto se senta sob uma lona com sua filha, enquanto milhares da América Central a caminho dos Estados Unidos descansam em Huixtla, México, em 22 de outubro de 2018. REUTERS/Adrees Latif

A caravana de migrantes fez uma parada nesta terça-feira (23) na empobrecida comunidade mexicana de Huixtla para descansar e fazer exames médicos, antes de retomar a viagem aos Estados Unidos, apesar das furiosas advertências do presidente Donald Trump.


Depois de atravessarem a pé quase 800 km em dez dias, os mais vulneráveis se submeteram a check-ups médicos.

"Atendemos oito mulheres grávidas, nenhuma apresenta complicações na gestação, só estão um pouco debilitadas", comentou uma enfermeira do posto médico improvisado no único parque de Huixtla.

Uma delas é Teresa Pérez, de 19 anos, grávida de 31 semanas. "Às vezes sinto muita dor, às vezes acho que já vai nascer, mas acho que só precisava descansar", afirma, enquanto os paramédicos dão a ela ácido fólico.

Outros aproveitaram para nadar ou cochilar às margens do rio Huixtla. Para muitos deles, este é o primeiro dia de descanso desde que saíram de Honduras em 13 de outubro, empurrados pela inflação galopante, além dos assassinatos e sequestros das gangues.

"A verdade é que o corpo já se sente cansado, esgotado e andávamos sujos. Sendo assim, caiu como uma luva", diz Daniel Fernández, um pedreiro de 25 anos que viaja com amigos.

Huixtla é um município de umas 50.000 pessoas, que vivem em casas simples em meio às montanhas desta região do país, majoritariamente indígena. Ainda restam aos migrantes 3.000 km para chegar à fronteira com os Estados Unidos.

O governo hondurenho reportou na segunda-feira (22) a morte de dois membros da caravana: um deles no sábado, ao cair de um veículo na rodovia que leva ao Pacífico guatemalteco, e o outro na segunda-feira na estrada de Tapachula a Huehuetan, no México.

Tensões diplomáticas

O vice-presidente americano, Mike Pence, disse que o presidente de Honduras lhe informou que a caravana de migrantes que partiu de seu país rumo aos Estados Unidos foi organizada por grupos esquerdistas "financiados pela Venezuela".

Foram "enviados ao Norte para desafiar nossa soberania e nossa fronteira", disse Pence em um evento organizado pelo jornal The Washington Post.

"Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir que essa caravana chegue ao Norte e viole nossa fronteira", assegurou.

O governo hondurenho de Juan Orlando Hernández acusou a oposição política de convocar a caravana para levar o país à "ingovernabilidade", apontando como instigador Bartolo Fuentes, ex-deputado coordenado, segundo eles, pelo ex-presidente e líder esquerdista, Manuel Zelaya.

Fuentes assegurou que o que fez foi reproduzir em seu Facebook um cartaz, que não sabe quem divulgou em várias redes sociais.

O cartaz pede que se inicie a "Caminhada do migrante", com o lema: "Não vamos embora porque queremos, a violência e a pobreza nos expulsam".

Trump advertiu na segunda que começará a cortar a ajuda econômica que dá a Guatemala, Honduras e El Salvador, ao avaliar que foram incapazes de impedir que a caravana de migrantes partisse da América Central.

O presidente americano elevou o tom anti-imigratório às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, em 6 de novembro, nos Estados Unidos.

"Parece que a Polícia e os militares do México são incapazes de deter a caravana que se dirige à fronteira sul dos Estados Unidos. Criminosos e pessoas do Oriente Médio não identificadas estão misturados", disse na segunda.

O ministro do Interior do México, Alfonso Navarrete, respondeu: "Não vamos cair em exigência de governo algum que pretenda convocar no México uma reação hostil por si mesma, sem fundamento, sem ter esgotado todas as vias que se podem dar no diálogo".

"Nós não enviamos pessoal do Exército algum para essa circunstância e a Polícia, toda a Polícia Federal que participou, o fez, como puderam constatar, de forma ordenada e desarmados", reforçou.
 
Mais migrantes


Entre os que avançaram para Huixtla e os que voltaram, também há muitos outros no meio do caminho. Centenas cruzaram a fronteira do México na tarde de segunda-feira, depois de o governo mexicano permitir-lhes a entrada.

Tratam-se de 400 hondurenhos - segundo ONGs - que esperavam confinados desde a sexta-feira na ponte fronteiriça com a Guatemala, e que também faziam parte da caravana.

Tiveram a passagem permitida "porque a chancelaria (mexicana) advogou para que não continuassem na intempérie e sofrendo as inclemências do clima", disse o comissário de Migração, Gerardo García.

Além de todos os que, de uma forma ou de outra, chegaram ao México, uma segunda caravana de hondurenhos saiu no domingo da Guatemala, também tentando chegar aos Estados Unidos.

(Com informações da AFP)