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Trump fecha o cerco aos migrantes latino-americanos na fronteira com o México

Por Cleide Klock

O presidente americano, Donald Trump, deve conceder nesta terça-feira (20) novos poderes aos 5.900 soldados enviados à fronteira com o México para proteger os funcionários da Alfândega e Proteção de Fronteiras das caravanas de migrantes que chegam da América Central. Trump trata a tentativa de entrada dos latino-americanos nos EUA como uma "invasão".

Correspondente da RFI em Los Angeles

Atualmente, os militares americanos não têm autoridade para intervir se o pessoal da fronteira for atacado, a menos que precisem agir em defesa própria. A tensão na fronteira só aumenta e a única certeza é que deve piorar ainda mais nos próximos dias.

Nessa segunda-feira (19), o governo dos EUA fechou o tráfego na fronteira no sul da Califórnia entre as cidades de San Diego e Tijuana, no país vizinho, por cinco horas, para instalar novos sistemas de segurança como barreiras móveis e arame farpado. Por outro lado, um juiz federal de São Francisco bloqueou temporariamente uma nova ordem executiva de Trump, que nega a possibilidade de obtenção de asilo às pessoas que entram ilegalmente nos Estados Unidos. A medida foi levada aos tribunais por organizações de defesa dos direitos civis.

Migrantes dormem nas ruas de Tijuana e preocupam moradores

Os 6 mil migrantes que chegaram a Tijuana com a caravana que partiu no dia 12 de outubro de Honduras estão alojados em situação muito precária. Apenas mulheres e crianças conseguem algum tipo de abrigo, e muita gente tem que dormir na rua com as temperaturas na madrugada chegando perto dos 10°C. As primeiras pessoas chegaram há uma semana nessa região, mas pelo menos outras 4 mil estão a caminho.

No domingo (18), aconteceram vários protestos de moradores. Eles consideram que Tijuana não está preparada para receber tanta gente. Para uma parte dos habitantes, essas pessoas estão aumentando a insegurança na região. Muitos alegam que os migrantes latino-americanos violam as leis do país por serem indocumentados. Com esse fechamento da fronteira aumentou ainda mais a tensão já que só nessa entrada, em San Diego, passam cerca de 110 mil pessoas por dia. Muitos atravessam a fronteira para trabalhar no país vizinho. Durante o protesto, os moradores repetiam que são a favor da imigração mas não da invasão, enquanto os migrantes diziam que estão apenas em busca de uma vida melhor.

Incerteza aumenta

Trump mantém um posicionamento rígido e repete que não deixará os latinos, a maioria vindos de Honduras, da Guatemala e de El Salvador, entrar nos EUA, e pelas redes sociais vive pedindo para eles irem embora. O próprio Ministro do Interior do México fez declarações na linha de Trump falando que as chances de eles entrarem nos EUA são praticamente nulas.

O procedimento usual requer que os migrantes cheguem na fronteira e preencham um pedido de asilo nos Estados Unidos. Os interessados devem dizer os motivos pelos quais fugiram de seus países e aguardar a análise do requerimento. O pedido de asilo é uma forma legal de entrar no país e sempre existiu. Recentemente, os casos das crianças separadas dos pais – inclusive brasileiras –, que tiveram seus pedidos de asilo negados, dramatizaram ainda mais a situação dos migrantes.

Os pedidos de asilo aumentaram em 2.000% nos últimos cinco anos e atualmente existem 700.000 casos pendentes. O que ninguém sabe é como as autoridades de fronteiras vão agir diante das caravanas, se vão simplesmente não deixar entrar, prender e deportar, o que requer uma estrutura absurda e sairia muito caro, já que são 10 mil pessoas, ou se vão aceitar uma parte dos pedidos. As autoridades também lembram que essa análise pode demorar seis meses. A questão é saber como e onde os migrantes vão aguardar uma resposta.

Destino dos migrantes divide dos dois lados da fronteira

Pesquisas mostraram que os mexicanos estão divididos com a chegada das caravanas. Alguns apoiam e outros acham que isso pode diminuir salários e trazer desemprego aos mexicanos.

Uma pesquisa recém-divulgada pela Universidade de Monmouth, na Califórnia, diz que "a maioria dos americanos expressa algum nível de preocupação com a aproximação da caravana, o que pode ser devido a alegações de que o grupo inclui terroristas, o que Trump declarou recentemente. Mas um total de 70% dão apoio aos migrantes, dizem que os pedidos de asilo deveriam ser analisados enquanto apenas um quarto pensa que eles devem ser enviados de volta.

Entre os políticos, 89% dos democratas e 72% dos independentes acham que o grupo deveria ter a oportunidade de entrar. Já metade dos republicanos disse que a caravana deveria voltar, mas 43% são a favor a dar a eles a oportunidade de entrar no país.

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