rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Incertezas sobre Mercosul com Bolsonaro marcam cúpula no Uruguai

Pela primeira vez desde que se tornou uma União Alfandegária, há 23 anos, o Mercosul se reúne sob uma ameaça concreta de recuo. A grande incógnita nas reuniões que começam nesta segunda-feira (17) é qual será o futuro que o presidente eleito Jair Bolsonaro pretende para o Brasil dentro do bloco formado ainda por Argentina, Uruguai e Paraguai.

Marcio Resende, enviando especial da RFI a Montevidéu

O futuro governo brasileiro já disse que o Mercosul não será uma prioridade, mas o bloco pretende mostrar a sua importância. São tempos de definições.
Para mostrar a importância do Mercosul, os ministros das Relações Exteriores e da Economia dos países membros tentam avançar na integração regional como plataforma para as negociações do Mercosul com outros países e blocos.

O presidente eleito Jair Bolsonaro ainda não assumiu, mas a incerteza sobre o que o seu governo pode significar para o Mercosul é a grande protagonista nesta reunião. O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, já disse que o Mercosul não será uma prioridade para o novo governo. O presidente eleito já disse que prefere negociações bilaterais entre países a multilaterais em bloco, como as do Mercosul.

Então, o que vai acontecer com o Mercosul se o seu principal membro questionar as bases do bloco? Continuará o Mercosul coeso como uma União Alfandegária ou recuará a uma mera zona de livre comércio? Essa é a pergunta que paira no ar, ainda sem resposta e que provoca uma série de movimentos políticos.

Os quatro governos atuais procuram mostrar sintonia de visão sobre vocação de abertura comercial, sobre a necessidade de retirar o Mercosul do seu confinamento e sobre a importância do bloco. O atual governo brasileiro destaca que o Mercosul representa a quinta maior economia do mundo. Ao longo dos últimos 10 anos, o Brasil acumulou um superávit comercial de quase U$ 88 bilhões junto aos países do bloco. Isso é mais do que acumulou, no mesmo período, com a China no mesmo período, o parceiro comercial do Brasil.

Os Estados Unidos, com quem o governo Bolsonaro pretende ter um alinhamento automático, representaram um déficit comercial para o Brasil de U$ 44 bilhões. Quase 90% de todos os produtos industrializados que o Brasil exporta para mundo vão para o Mercosul. Neste ano, o bloco lançou ou prosseguiu com negociações para acordos de livre comércio com Canadá, com Coreia do Sul, com o EFTA que inclui Suíça, Noruega e Islândia, com Cingapura, além da União Europeia. Os negociadores indicam que o acordo entre o Mercosul e o Canadá avança muito rápido e pode ser concluído no ano que vem.

Desafio do Mercosul

O maior desafio do Mercosul em matéria de negociações e até em matéria política porque tanto a alemã Angela Merkel quanto o francês Emmanuel Macron já questionaram o presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo os negociadores, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode ser concluído rapidamente, mas depende de decisões políticas dos dois lados.

A chanceler alemã Angela Merkel, por exemplo, advertiu que Bolsonaro pode ser um obstáculo e que um acordo com o novo governo será "mais difícil". O presidente francês Emmanuel Macron disse durante a sua visita à Argentina que não haverá acordo se Bolsonaro cumprir com a sua ameaça de retirar o Brasil do Acordo climático de Paris. De novo, as incertezas quanto a Bolsonaro aparecem nas negociações.

Sócio político e comercial

Como a Argentina vê essa incerteza que envolve o seu principal sócio político e comercial. O presidente Mauricio Macri anunciou na sexta-feira que viajará a Brasília no dia 16 de janeiro para uma reunião com Jair Bolsonaro. Foi o primeiro sinal concreto de aproximação porque, até agora, eram todos sinais de esfriamento na relação.

Não há confirmação oficial, mas assessores próximos de Macri deram a entender na semana passada que o presidente argentino não vai viajar para a posse de Bolsonaro. Alegam que Macri estará de férias. Mas a verdade é que o governo argentino não gostou muito da decisão de Bolsonaro fazer a sua primeira viagem internacional ao Chile, e não à Argentina como de praxe. De qualquer forma, nada ainda é oficial. É possível que Macri defina se vai ou não à posse de Bolsonaro amanhã, na reunião de cúpula do Mercosul.

Ebola avança na África: vírus chega a Uganda após deixar mais de mil mortos no Congo

Em corrida eleitoral na Argentina, vice de Macri tem posição afinada com Bolsonaro

Estocolmo: congresso mundial discute desafios da mobilidade urbana sustentável

Divulgação de conversas entre Moro e Dallagnol gera muita apreensão em Brasília

Acordo contra imigração foi negociado sob ameaças de Trump contra o México, dizem democratas

Depois de fracassar com o Brexit, Theresa May se prepara para deixar cargo de premiê

Tarifas sobre produtos mexicanos podem aumentar fluxo de migrantes nos EUA

"Ocidente deveria pressionar a China por mais democracia", diz líder exilado após massacre na Praça da Paz Celestial

Dois meses após legislativas de abril, Parlamento de Israel convoca novas eleições

Dinamarquesa que multou Apple e Google é a mais cotada para assumir liderança da UE

Luta pela legalização do aborto recomeça na Argentina, em pleno ano eleitoral

Acusado de inoperância, governo Bolsonaro testará apoio das ruas no domingo

Tsunami político na Áustria freia avanço da extrema direita do país nas eleições europeias