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Cuba comemora 60° aniversário da Revolução adaptando "comunismo" ao mercado

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O novo projeto da Constituição cubana, que será levada a referendo em 24 de fevereiro, reconhece o papel do mercado REUTERS/Tomas Bravo

A revolução cubana comemora, nesta terça-feira (1°), seu 60º aniversário sem Fidel Castro, que faleceu no final de 2016. A celebração será realizada no pé do túmulo do herói nacional, José Martí, e de Fidel, e contará com um aguardado discurso de Raúl Castro, que, como outros históricos personagens, está aposentado da vida pública, embora mantenha as rédeas do poder.

 


Pela primeira vez desde 1976, Cuba terá um presidente sem o sobrenome Castro: Miguel Díaz-Canel, de 58 anos, para quem "a revolução cubana é invencível, cresce e perdura”. Já para Jorge Duany, diretor do Instituto de Pesquisas Cubanas da Universidade Internacional da Flórida, "o legado histórico da revolução cubana parece muito desgastado, tanto do ponto de vista político quanto econômico."

A nova Constituição cubana, que será levada a referendo em 24 de fevereiro, ratifica o comunismo como meta social, mas reconhece o papel do mercado, da propriedade privada e do investimento estrangeiro, e assegura que Cuba "jamais" retornará ao capitalismo.

O Partido Comunista (PCC) segue sendo "único" e a "força política superior do Estado e da sociedade". Mas a sociedade tem mudado e logo haverá, por exemplo, jogadores de beisebol milionários na ilha após o recente acordo com as Grandes Ligas dos Estados Unidos.

Novo ciclo

Com reformas econômicas em marcha e uma geração no comando sem a mesma legitimidade histórica, abre-se um novo ciclo e Raúl, na liderança do PCC até 2021, já anunciou que Díaz-Canel o sucederá também neste cargo-chave. "Abre-se um novo ciclo, sem dúvidas. Esse ciclo é continuidade e mudança", declarou Arturo López-Levy, do Gustavus Adolphus College, em Minnesota." O que mais sobreviveu da revolução foi a própria revolução, que soube se transformar na medida em que a ordem mundial exigiu", acrescenta.

Díaz-Canel reiterou que a "batalha mais importante é a economia", estagnada há anos em um crescimento que apenas supera 1%. Mas, para muitos cubanos, a esperança de melhorar depende "de poder trabalhar por sua conta ou emigrar", segundo Duany.

Rússia e China voltam a se apresentar como aliados de de Cuba, mas não estão dispostos a subsidiá-la, como fez a União Soviética durante 30 anos com Fidel. Já os Estados Unidos, após o avanço nas relações no governo de Barack Obama, voltou à hostilidade com Donald Trump.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, qualificou Cuba de "sócio estratégico e aliado confiável" em mensagens enviadas a Raúl Castro e Díaz-Canel, que a imprensa local divulgou neste domingo."As relações bilaterais estão em um ótimo momento", assegurou.

Díaz-Canel e sua equipe voltaram à tática de Fidel de um governo nas ruas, "com o ouvido colado na terra", como pediu Raúl. Sua atividade é constante. Para isso, atualizou na era digital o nacionalismo ao qual Fidel sempre apelou, agora com a hashtag "Somos Cuba" repetida nas redes sociais. "O nacionalismo continua sendo uma força central em uma Cuba que esteve do lado dos perdedores na Guerra Fria", considerou López-Levy.

(Com informações da AFP)