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Novo Congresso americano assume em meio à paralisação do governo

 

Apesar de haver motivo para entusiasmo, o 116° Congresso americano está sendo inaugurado, nesta quinta-feira (3), com um clima diferente do normal, que, geralmente, é de comemoração. O motivo para entusiasmo seria que este é o Congresso mais diverso da história dos Estados Unidos – tanto em termos de etnia quanto de gênero – e mais jovem em termos de experiência política.

Com informações da correspondente da RFI em Washington, Ligia Hougland

Há um número recorde de 125 mulheres, sendo que duas delas são muçulmanas - (Ilhan Omar (MN) e Rashida Tlaib (MI)) – e pelo menos 24 novos membros são hispanos, negros ou nativos-americanos. Além disso, os partidos Democrata e Republicano terão representantes das suas alas mais extremas, de esquerda e de direita, respectivamente.

No entanto, o Congresso é inaugurado durante a paralisação do governo causada pela recusa dos democratas em aprovar fundos para o muro na fronteira com o México, algo que o presidente Donald Trump não abre mão. Assim, já no primeiro dia em ação, os membros do novo Congresso serão desafiados a solucionar um complicado impasse.

O Congresso americano tem 535 membros - 435 na Câmara e 100 no Senado. Nas últimas eleições legislativas, realizadas em novembro passado, os republicanos – que até então tinham a maioria tanto na Câmara quanto no Senado - perderam entre 36 e 37 cadeiras na Câmara, sendo que uma delas (9° distrito da Carolina do Norte) ainda está sendo contestada.

Com as últimas eleições legislativas, os democratas retomaram a Câmara que agora é composta por 235 deputados democratas e 199 republicanos. No Senado, os republicanos ganharam mais três lugares, tendo agora 53 senadores. Há 45 senadores democratas e dois que, embora independentes, estão alinhados com o Partido Democrata: Bernie Sanders (VT) e Angus King (ME).

Uma estrela novata

O membro mais badalado do novo Congresso é a jovem deputada de origem latina Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, que chega a Washington cheia de ideias progressistas que causam um certo desconforto até mesmo entre os líderes do seu partido.

Ocasio-Cortez, cuja fama já resultou até no popular #AOC, afirmou pelo Twitter que se opõe a uma cláusula de um pacote de normas orçamentárias que foi respaldado pela veterana líder democrata, Nancy Pelosi (CA). A cláusula estabelece que qualquer nova legislação deve ser neutra em termos de dívida. Ou seja, os custos precisam ser contrabalançados por impostos ou cortes. Isso pode marcar o começo de um longo atrito entre as facções tradicionais e a nova geração progressista, algo que o partido Democrata tem deixado em banho-maria já há algum tempo, mas que vai ter de lidar se quiser ter uma fronte unida para reconquistar a Casa Branca nas eleições de 2020.

Shutdown

Os democratas, no momento, parecem ocupar uma posição de vantagem na rixa do fechamento do governo. Nesta quarta-feira (2), Pelosi anunciou que já no primeiro dia do novo Congresso apresentaria para votação na Câmara uma legislação que terminaria com a paralisação. Segundo a líder da nova maioria democrata, a legislação será baseada em “ações tomadas pelo Senado republicano”.

Assim, se a maioria republicana do Senado não aprovar a proposta da Câmara para acabar com a paralisação, os democratas podem transferir a culpa para o partido de Trump. Por outro lado, se a proposta for aprovada, os democratas podem alegar que são bons em solucionar problemas e fazer as coisas andarem quando estão na liderança.

Pelosi disse que a questão do dinheiro para o muro não estaria incluída na proposta, e que orçamento para o Departamento de Segurança Nacional seria suficiente somente até 8 de fevereiro, quando então voltariam a negociar os fundos para segurança na fronteira com o México. Trump está pedindo US$ 5,6 bilhões para o muro, mas deu indícios de que esse valor pode ser negociado.

Mas nada está garantido e ainda pode haver uma surpresa nas negociações entre a Câmara democrata e o Senado republicano, ainda mais se Trump estiver falando sério quando diz que vai vetar qualquer proposta que não inclua fundos para o muro que prometeu durante sua campanha presidencial, apesar de também ter prometido que seria o México quem pagaria por essa barreira.

Se o presidente realmente não recuar, os senadores republicanos vão ter que fazer um complicado cálculo político para decidirem se devem recusar a proposta dos democratas e defender a posição do presidente ou mostrar que são flexíveis e dão prioridade à capacidade de funcionamento do governo federal, pondo um fim à paralisação.

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