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EUA Bloqueio Orçamento Donald Trump

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Como o bloqueio das contas públicas afeta o funcionamento dos EUA

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O presidente norte-americano, Donald Trump, em 2 de janeiro de 2019. REUTERS/Jim Young

Após o chamado “shutdown”, cerca de 800.000 funcionários federais pararam de receber seus salários nos Estados Unidos. A paralisação do governo norte-americano, causada pelo bloqueio orçamentário, iniciado em 22 de dezembro e sem data para terminar, afeta parques nacionais, órgãos como o FBI, museus e até mesmo o fisco, entre vários outros serviços públicos.


Há 13 dias, os Estados Unidos se encontram paralisados por um “shutdown”, o nome dado ao bloqueio orçamentário, ocorrido devido à falta de consenso político entre republicanos e democratas no Congresso norte-americano. Como resultado, o financiamento de alguns departamentos e agências federais continua suspenso, colocando centenas de milhares de funcionários públicos em uma espécie de desemprego forçado.

No meio da confusão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não larga o osso e se diz pronto a um “bloqueio de longa duração”. Um dos principais pontos de discórdia entre democratas e republicanos, que provoca o “shutdown”, é a insistência de Trump em aprovar o financiamento do muro na fronteira com o México, que impediria a entrada de “clandestinos”.

Serviços paralisados

Embora relativamente freqüente - é o décimo-nono desde os anos 1970, e o terceiro sob o mandato de Donald Trump - essa paralisia orçamentária está começando a impactar o cotidiano de norte-americanos e turistas que visitam o país. O shutdown afeta 25% das administrações públicas, incluindo os ministérios relativos à segurança interna, como o FBI.

Além disso, muitos parques nacionais e museus em todo o país tiveram que fechar suas portas - o que pode se traduzir em pesadas consequências econômicas para o setor de turismo, durante a época do Natal. O Parque Nacional Joshua Tree, na Califórnia, fechou ao meio-dia de quarta-feira, por causa da pilha de lixo e dejetos humanos que causam problemas sanitários.

A agência federal que cobra o imposto de renda é uma das mais afetadas, com nove entre dez funcionários obrigados a ficar em casa. Se o “shutdown” durar - o recorde data de 1995, com 21 dias de bloqueio - a situação pode se complicar rapidamente. Mesmo alguns casamentos celebrados no final de dezembro ainda não são oficiais: é o caso de Washington, onde o escritório que celebra as uniões teve que fechar, provocando a raiva daqueles que pensavam que poderiam celebrar seu casamento.

Cabo de guerra visa 2020

As negociações do "fechamento [orçamentário]" - um ritual da política norte-americana - são, antes de tudo, uma batalha de comunicação na qual cada parte tenta culpar a outra pelo bloqueio. Mas se os republicanos mantiveram o controle do Senado, os democratas têm agora um megafone muito mais poderoso, dominando a presidência da Câmara dos Deputados.

"Construir um muro (na fronteira com o México) é imoral, não é o que somos como país", disse a democrata Nancy Pelosi na noite de quinta-feira, algumas horas depois de tomar posse como "oradora" da casa. "Alguém tem alguma dúvida sobre a nossa posição? Nós não vamos construir um muro!", afirmou.

Os democratas deixarão de negociar? Pode Donald Trump renunciar aos US $ 5 bilhões que está pedindo para construir seu muro? Quais são as portas de saída para acabar com a "paralisação" que bloqueia 25% das administrações federais desde 22 de dezembro?

Republicanos e democratas estão cientes de que este cabo de guerra orçamentário também é um teste do equilíbrio de poder que será estabelecido para a segunda parte do mandato de Donald Trump, que anunciou claramente sua intenção de se apresentar novamente em 2020.

Com o recém-conquistado controle da Câmara, os democratas estão liderando comissões parlamentares com poderosos poderes de investigação, incluindo o poder de convocar testemunhas e ordenar a produção de documentos. E se Nancy Pelosi não deseja, por enquanto, evocar a perspectiva de impeachment, alguns jovens deputados não hesitam em abordar o assunto. Não surpreendentemente, o atual inquilino da Casa Branca reagiu rapidamente.

"Como você quer demitir um presidente que provavelmente venceu a maior eleição de todos os tempos, que não fez nada de errado (sem conluio com a Rússia, são os democratas que conspiraram), que está no comando? Que está na origem dos dois melhores primeiros anos de todos os presidentes, e que é o republicano mais popular na história do partido, com 93%? ", twittou Trump ao acordar.