rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Na contramão de Trump, prefeito de Nova York cria programa de saúde para imigrantes ilegais

O prefeito de Nova York resolveu abordar de uma tacada só a duas das maiores pedras no sapato do presidente americano Donald Trump: o livre acesso ao sistema público de saúde e os imigrantes ilegais.

Natasha Madov, correspondente da RFI em Nova York

Na última terça-feira (8), o prefeito de Nova York Bill de Blasio anunciou um plano para ampliar o acesso de 600 mil nova-iorquinos sem seguro de saúde - metade deles imigrantes ilegais - à rede municipal de hospitais e clínicas de saúde básica. Com isso, ele quer garantir que todos os nova-iorquinos tenham acesso a serviços de saúde, independentemente de renda ou status imigratório. O plano, que vai se chamar NYC Care, vai custar US$100 milhões.

O complexo sistema de saúde nos Estados Unidos não funciona como os sistemas universais do Brasil ou de vários países europeus, em que uma rede de clínicas, hospitais e serviços são financiados integralmente pelo governo. Os americanos são obrigados a ter seguros de saúde, que podem ser subsidiados pelos empregadores ou pagos do próprio bolso.

Existem serviços públicos específicos para populações vulneráveis como aposentados, crianças, veteranos e pessoas abaixo da linha da pobreza, mas estes serviços, bem como o Obamacare, estão disponíveis apenas para cidadãos americanos ou residentes legalizados.

Serviços gratuitos

Já Nova York tem um sistema municipal de saúde, composto por 11 hospitais públicos e 70 clínicas, todos gratuitos, e um plano de saúde de baixo custo, que opera dentro do Obamacare.

Mas os nova-iorquinos tendem a usar a rede pública apenas no caso de emergências, sem aproveitar o serviço para consultas de rotina ou exames simples, e muitos imigrantes nem sabem que estes serviços também se estendem a eles.

A ideia da iniciativa é aliviar os prontos-socorros municipais, garantindo mais acesso à rede existente gratuita de clínicos gerais e serviços de prevenção.

Em uma primeira fase, a prefeitura pretende fazer isso promovendo o plano de saúde municipal, chamado Metroplus, cujos preços mensais dependem da renda do morador, podendo até sair de graça. Mas o Metroplus só está disponível a cidadãos americanos e residentes com visto em dia, o que excluiria os imigrantes ilegais.

A segunda fase se destina a quem não pode ou não quer ter um plano de saúde. O sistema vai cadastrar os interessados, que não precisam apresentar documentos que comprovem status imigratório, para em seguida designar um clínico geral para cada usuário e facilitar o agendamento de consultas, que serão pagas de acordo com as possibilidades financeiras de cada um. Haverá também um serviço telefônico gratuito 24 horas por dia.

Cuidados de saúde mental e tratamento de abuso de drogas e álcool também estão incluídos na iniciativa. O programa deve começar em agosto no distrito do Bronx e se estender a toda cidade até 2021.

Exemplo da costa oeste

O modelo do NYC Care não é inédito. Ele foi inspirado em uma iniciativa existente em San Francisco desde 2007, que foi muito elogiada pelos seus resultados. Um estudo de 2011 mostrou que 75% dos participantes foram ao médico nos 12 meses seguintes à sua entrada no programa, e os números de idas ao pronto-socorro e internações evitáveis também caíram consideravelmente.

O idealizador do programa californiano, Mitchell Katz, é atualmente o chefe da rede de hospitais públicos de Nova York.

Momento delicado para Trump

O NYC Care não deixa de ser um tapa de luva de pelica de De Blasio ao presidente Donald Trump, ao dar uma solução a dois temas espinhosos para a Casa Branca: imigrantes ilegais e o sistema de saúde.

Trump está em uma quebra de braço com a nova maioria democrata no Congresso americano sobre o seu sonhado muro na fronteira do México.
Ao mesmo tempo, outros políticos recém-eleitos no Legislativo estão prometendo trabalhar para ampliar o Obamacare ou até mesmo criar um sistema universal de saúde nos Estados Unidos.

A nível estadual, os governadores recém-eleitos da Califórnia e Washington também já anunciaram que querem explorar iniciativas semelhantes às de Nova York em seus estados.

Acusado de inoperância, governo Bolsonaro testará apoio das ruas no domingo

Tsunami político na Áustria freia avanço da extrema direita do país nas eleições europeias

Em meio à tensão entre Irã e EUA, americanos se opõem a mais uma guerra

Festival de Cannes ainda está longe da paridade entre homens e mulheres no cinema

Aumento de tarifas americanas entra em vigor e deve acirrar guerra comercial entre EUA e China

China x EUA: guerra comercial de longo prazo é desafio para investidores

Após 48 horas de violência, entra em vigor cessar-fogo na Faixa de Gaza

Matteo Salvini visita Hungria para discutir "pacto europeu" com o nacionalista Viktor Orbán

Dia do Trabalho de tensão na Venezuela com manifestações pró e contra Maduro

Biden inicia campanha em Pittsburgh para conquistar operários que votaram em Trump

Espanha: Partido Socialista vence legislativas e extrema direita entra no Congresso

Ciclone Kenneth devasta ilha em Moçambique com ventos de mais de 200 km/h

"Direito internacional deve prevalecer à lei do mais forte", diz Putin após reunião com Kim Jong-Un

Morte de jornalista reabre ferida dos anos sangrentos na Irlanda do Norte