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Bolívia investe cerca de US$ 4 milhões em eleições primárias

Neste domingo, militantes de partidos políticos vão às urnas na Bolívia para eleger os candidatos que participarão das eleições presidenciais em outubro deste ano.

Elianah Jorge, correspondente da RFI na Bolívia

Esta é a primeira vez que uma votação deste tipo será realizada no país. Críticos ao governo alegam que o pleito é uma manobra para legitimar a reeleição de Evo Morales para o quarto mandato, embora a Constituição boliviana não permita mais de 3 mandatos consecutivos.

A partir deste resultado serão selecionadas duplas para participar, em outubro deste ano, da eleição presidencial. O pleito tem sido alvo de críticas. Os cidadãos afirmam que etapa eleitoral criada há poucos meses visa validar a reeleição do presidente Evo Morales e de seu vice, Álvaro García Linera, candidatos pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS).

A Constituição boliviana não permite a um presidente emendar três mandatos consecutivos e este é o caso de Evo Morales. Ele também é recordista de tempo na presidência da Bolívia Além disso, Morales tem ignorado o resultado do referendo de 2016, no qual a maioria dos votantes rejeitou sua reeleição. As primárias custarão aos cofres públicos cerca de US$ 4 milhões.

Apenas poderão votar militantes políticos que tenham se registrado previamente. O Tribunal Supremo Eleitoral informou que cerca de dois milhões de militantes, de nove partidos políticos, votarão neste domingo para eleger as duplas de candidatos às presidenciais.

Críticas às primárias

O candidato do partido Comunidade Cidadã (CC), Carlos Mesa, e o presidente do Movimento Democrático Social (MDS), Rubén Costas, pediram a seus militantes que não votem nas eleições primárias. De acordo com Mesa, que já foi presidente da Bolívia, esta eleição busca legitimar a candidatura de Evo Morales e Álvaro García Linera. Costas enfatizou que o pleito não tem legitimidade porque, segundo ele, os candidatos do partido do governo foram habilitados ilegalmente.

Antonio Costas e Dunia Sandoval, membros do Tribunal Supremo Eleitoral, chegaram a pedir a suspensão do pleito, alegando que não tem sentido fazer eleições primárias apenas para confirmar candidaturas. Uma missão de Observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) está no país para acompanhar a votação.

Nos últimos meses, uma possível reeleição de Evo Morales tem levado cidadãos a protestar em diversas cidades do país. Para controlar possíveis manifestações, cerca de 20 mil integrantes das Forças Armadas e da Polícia Boliviana irão garantir a segurança dos locais de votação e das urnas eleitorais nos nove departamentos bolivianos, o equivalente aos estados no Brasil.

A operação foi organizada com o Tribunal Supremo Eleitoral, que impôs uma série de restrições que entram em vigor à meia-noite desta sexta-feira (25) e deverão ser respeitadas até a próxima segunda-feira. O consumo e a venda de bebidas alcoólicas estarão proibidos por durante 48 horas. Também não será permitida a realização de campanhas eleitorais nos centos de votação ou qualquer forma de manifestação pública, contra ou a favor, a alguma candidatura nas imediações e no local de votação. Desde quinta-feira (24), a propaganda eleitoral está proibida.

Postura de Evo Morales

O presidente Evo Morales parece ignorar as determinações constitucionais e já faz planos para a eleição de outubro. Ele, que tem 59 anos, pretende ganhar as presidenciais com 70% dos votos e garante ter força para governar por mais cinco anos, tempo de duração do mandato presidencial na Bolívia.

Recentemente, Morales fez promessas planejando como seria seu quarto mandato fez propostas para manter a Bolívia no ranking dos países com os melhores índices econômicos da região.

No entanto, mesmo tendo colocado o país na rota do crescimento, ele já não tem o apoio dos indígenas, sua antiga base de apoio, e é bastante questionado pelas manobras que sua gestão vem fazendo para conseguir se manter no poder.

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