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Oposição volta às ruas na Venezuela em busca de apoio de militares

Uma semana após Juan Guaidó ter se autoproclamado presidente interino da Venezuela, a oposição volta às ruas nesta quarta-feira (30), em diversas cidades do país, para continuar divulgando a lei de anistia às Forças Armadas Nacionais. Pressionado, o líder chavista Nicolás Maduro estaria disposto a negociar, mas já descartou a possibilidade de convocar novas eleições para presidente.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

As manifestações, que têm previsão de durar apenas duas horas, visam também pedir que os militares venezuelanos respeitem a Constituição e a vontade popular para permitir a entrada da ajuda humanitária no país. 

Juan Guaidó, de 35 anos, pretende, através da lei de anistia, conseguir o apoio do setor militar, que é a base do governo de Nicolás Maduro. Até o momento, apenas soldados de baixa patente e em serviço no exterior reconheceram o opositor como o líder do país.

O autoproclamado presidente interino anunciou na terça-feira (29) os planos de seu governo: estabilizar a economia do país, gerar emprego, resgatar os serviços públicos e superar a pobreza. Ele também quer passar as contas da República ao Estado venezuelano para garantir maior transparência e controle do uso desses recursos.  

Dois governos, duas medidas 

Guaidó apresentou os representantes diplomáticos da Venezuela em pelo menos dez países. Julio Borges, deputado opositor no exílio, irá se desempenhar como delegado da Venezuela no Grupo de Lima, criado por nações sul-americanas em 2017 para abordar a crise na Venezuela. O nome do representante do governo paralelo no Brasil ainda não foi informado.

Embora o governo de Maduro esteja sendo cauteloso nas sanções contra Guaidó, na terça-feira o Tribunal Supremo de Justiça, controlado por aliados de Maduro, anunciou medidas cautelares ao opositor. Guaidó está proibido de sair do país e vender bens que estejam em seu nome. Ele também teve suas contas congeladas. 

Nesta quarta-feira (30), a agência russa de notícias RIA divulgou uma entrevista em que Maduro diz estar aberto para dialogar com a oposição, e à realização de eleições legislativas antecipadas. Mas ressaltou: "Não aceitamos ultimatos de ninguém no mundo, não aceitamos a chantagem. As eleições presidenciais aconteceram na Venezuela e se os imperialistas querem novas eleições que esperem até 2025", completou Maduro.

PDVSA é alvo de sanções

Após as sanções impostas, no início desta semana, pelo governo dos Estados Unidos à Petróleos da Venezuela (PDVSA) e à Citgo, a sucursal norte-americana desta estatal; a PDVSA informou através de um comunicado que “todo barco que saia de algum porto venezuelano com petróleo deve ser pago antes de deixar o porto”. 

Comandada pelo general Manuel Quevedo, a estatal está revisando ações para evitar um “novo ataque à soberania nacional”. O comunicado destaca que “qualquer ação contra a Venezuela impacta o mercado petroleiro mundial”. 

A Rússia, um dos grandes sócios comerciais da Venezuela, manifestou através do vice-ministro de Finanças, Sergei Storchak, que provavelmente “haverá problemas” para receber parte da dívida venezuelana em março deste ano após as sanções dos ativos da PDVSA por Washington. 

Desvalorização do bolívar soberano

Além dos problemas políticos e do estrangulamento econômico da PDVSA, o bolívar soberano, a moeda da Venezuela, sofreu uma desvalorização de mais de 34% com a entrada em vigor de um novo sistema cambial, cuja cotação supera a do mercado paralelo. 

Mesmo não sendo a moeda legal do país, todos os preços na Venezuela são pautados pelo dólar. Economistas explicam que esta manobra do governo visa aumentar o fluxo de caixa através da obtenção da moeda estrangeira, ainda mais necessária após as sanções à principal empresa nacional. 

Com esta alta do dólar e desvalorização do bolívar soberano, a população de baixo poder aquisitivo deve sofrer ainda mais as consequências das medidas do Banco Central e do Ministério de Economia e Finanças. 

A inflação na Venezuela é de 5% ao dia e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, a estimativa é de que o índice inflacionário chegue a dez milhões por cento este ano.

Prisões, torturas e censura

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou que mais de 40 pessoas foram mortas e mais de 850 pessoas foram presas durante os recentes protestos no país. ONGS apontam que adolescentes foram presos e torturados pelas forças de segurança do governo de Nicolás Maduro.  

Nos últimos dias, governo decidiu ampliar a censura aos meios de comunicação que ousam informar sobre o panorama político do país. O controle do conteúdo divulgado levou o radialista Cesar Miguel Rondon a parar de transmitir o programa matutino de maior audiência do país. Além disso, há denúncias de prisões arbitrárias a jornalistas.   

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