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Governo interino da Venezuela começa a organizar processo para novas eleições

O governo de transição da Venezuela começa a se organizar com o objetivo de convocar novas eleições no país. O autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, afirmou que esse processo deve durar entre seis e nove meses. Nesta terça-feira (5), será nomeado um comitê que irá indicar os integrantes do novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Para realizar novas eleições, a renovação do CNE é uma das determinações do Grupo de Lima, criado em 2017 e que vem pressionando o governo do presidente Nicolás Maduro. Na segunda-feira (4), mais de dez países europeus reconheceram Guaidó como presidente interino. A decisão foi tomada após o vencimento do prazo de oito dias para que Maduro convocasse novas eleições. Além do anúncio da União Europeia, o Grupo de Lima, que se reuniu no Canadá, excluiu a necessidade do uso da força militar na Venezuela e também fez um apelo por novas eleições no país.

Por videoconferência, Juan Guaidó participou da reunião do Grupo de Lima. Ele declarou que a pressão internacional é importante para acabar com o fim da usurpação de poderes por parte de Nicolás Maduro. A oposição e boa parte da comunidade internacional consideram que as últimas eleições presidenciais venezuelanas foram arbitrárias e fraudulentas.   

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou que irá enviar US$ 53 milhões à Venezuela e que apoia o governo interino de Guaidó. Com a pressão internacional, Maduro fica cada vez mais isolado no cenário internacional.

Ajuda Humanitária

A ajuda humanitária deverá chegar nos próximos dias à Venezuela, declarou Juan Guaidó. Segundo ele, serão três os pontos de armazenamento: em Cúcuta, por onde diariamente fogem centenas de venezuelanos, em uma cidade do Brasil - embora o Itamaraty ainda não tenha dado esta confirmação -, e em uma ilha do Caribe. O primeiro lote será destinado a atender cerca de 250 mil e 300 mil pessoas que correm risco de morte, e irá suprir pelo menos quatro hospitais em um período de um mês.

Apesar do apoio declarado no último sábado (2) do general Francisco Yánez, Guaidó continua enviando mensagens às Forças Armadas. Segundo ele, nos próximos dias, este setor deverá decidir se continua ao lado de Maduro ou dos venezuelanos que carecem de alimentos e remédios. 

Nos últimos anos, o nível de pobreza e desnutrição subiram na Venezuela chamando a atenção internacional e gerando o êxodo de milhares de venezuelanos. De acordo com David Lipton, um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), o cenário venezuelano é o de “uma tempestade sem precedentes": com uma crise que inclui falta de alimentos, hiperinflação, perdas de capital físico e humano e problemas complexos de dívidas. 

Maduro é contra ajuda humanitária

Maduro convocou seus seguidores a participar de um abaixo-assinado contra a ingerência dos Estado Unidos na Venezuela. O documento, que está disponível nas principais praças do país, também servirá para rejeitar a entrada da ajuda humanitária na Venezuela.  

Maduro, que critica a autoproclamação de Juan Guaidó, participou na segunda-feira da comemoração dos 27 anos da tentativa de golpe de Estado perpetrada por Hugo Chávez. O presidente garantiu que não vai permitir que “humilhem o povo com a ajuda humanitária” e que “não somos mendigos de ninguém”. Segundo ele, se os demais países “querem ajudar, que liberem as contas bancárias da Venezuela e seguiremos em frente como sempre fizemos”.

Há rumores de que aliados do chavismo estariam planejando roubar a ajuda humanitária na fronteira com a Colômbia para distribuí-la na caixa de produtos subsidiados pelo governo. 

Ações da comunidade internacional

Na próxima quinta-feira (7), Montevidéu irá sediar a primeira reunião de contato para para levar adiante um processo que permita aos venezuelanos realizar novas eleições

O grupo, que deve trabalhar durante 90 dias, inclui oito países da União Europeia (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Suécia) e quatro países latino-americanos (Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai). 

Guaidó alertou, no entanto, que a agenda de seu governo paralelo é clara e que não participará de um “falso diálogo, como o de 2017”, em referência ao à última tentativa de diálogo entre governo e oposição que não rendeu frutos.

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