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Oscar 2019 promove diversidade ao premiar mais negros e mulheres

O filme "Green Book - o Guia", de Peter Farrelly, que conta a história de um pianista negro que se torna amigo de seu motorista branco, levou neste domingo (24) o Oscar de melhor filme, desbancando “Roma”, de Alfonso Cúaron. A 91ª edição do prêmio mostrou o compromisso de Hollywood em dar espaço para temas engajados.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

“Green Book” obteve três estatuetas de um total de nove indicações e superou na categoria principal outros sete filmes: "Pantera Negra", "Infiltrado na Klan", "Bohemian Rhapsody", "A Favorita", "Nasce uma Estrela", "Vice", e o grande favorito da noite, "Roma", com dez indicações. O longa narra a viagem do famoso pianista negro Don Shirley e de seu motorista branco Tony "Lip" Vallelonga pelo sul dos Estados Unidos, na década de 1960, em plena segregação racial.

“Green Book” acabou levando o prêmio principal além de ator coadjuvante para Mahershala Ali e melhor Roteiro Original. Já o filme que mais ganhou estatuetas, quatro no total, foi “Bohemian Rapsody”. Rami Malek, que interpreta Freddie Mercury, levou o prêmio de melhor ator, e o longa também venceu em categorias técnicas.

“Roma”, também levou três estatuetas: melhor fotografia, direção e melhor filme estrangeiro. O diretor mexicano Alfonso Cúaron subiu três vezes ao palco. O prêmio de melhor atriz coadjuvante foi para Regina King. Uma das grandes surpresas da noite foi na categoria de melhor atriz. Todos pensavam que Glenn Close enfim levaria a estatueta desta vez, já que foi indicada sete vezes, mas nunca ganhou. Quem venceu o prêmio foi Olivia Colman, do filme “A Favorita”.

Em seu discurso, ela quase pediu desculpas por estar recebendo o prêmio. Ela também desbancou Lady Gaga como atriz, mas a cantora levou seu primeiro Oscar pela canção original “Shallow”, de “Nasce Uma Estrela”, que cantou com Bradley Cooper, arrancando aplausos da plateia.

Discursos engajados

O microfone do Oscar sempre dá voz ao engajamento político e social e esse ano não foi diferente. O diretor Spike Lee foi responsável por um dos momentos mais memoráveis da noite. Ele já havia sido indicado quatro vezes anteriormente e só tinha ganhado um Oscar honorário. Ganhou nessa noite o prêmio de Roteiro Adaptado por “Infiltrados na Klan” e em seu discurso falou sobre a avó que era escrava. Ele também homenageou os ancestrais que sofreram um genocídio e construíram o país, lembrando que 2020 é ano de eleição presidencial nos EUA.

O discurso do ator Rami Malek que é filho de imigrantes egípcios, também foi emocionante. "Fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante que viveu a vida sem pedir desculpas. Estamos ansiosos por histórias como esta", declarou. Javier Bardén e Diego Luna só falaram espanhol no palco - e o próprio diretor de “Green Book”, Peter Farrelly, finalizou a noite com discurso contra o racismo, a xenofobia e pela igualdade.

Esse foi, sem dúvida, o Oscar da diversidade. Tanto na apresentação quanto na premiação. Neste ano não teve um mestre de cerimônia oficial, mas muitos artistas negros, estrangeiros e muitas mulheres marcaram presença. Esse ano o Oscar bateu dois recordes. Um deles traz alguma esperança em relação à desigualdade de gênero: 15 mulheres e 39 homens receberam troféus. No ano passado, foram apenas seis.

Além disso, neste ano, sete artistas negros ganharam o Oscar. Em 2017, apenas cinco levaram troféus. Isso mostra que a academia, apesar de muito tradicional, também está colocando a diversidade como prioridade e se abrindo para temas, por exemplo, como do Melhor Documentário de Curta-metragem. O vencedor da categoria, “Absorvendo o tabu”, da diretora Rayka Zehtabchi, mostra um projeto de distribuição de absorventes e de educação sexual na Índia.

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