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Juan Guaidó Venezuela Nicolás Maduro

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Guaidó volta à Venezuela e é recebido por embaixadores de vários países

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Juan Guaidó, líder da oposição na Venezuela. 20 de Fevereiro de 2019. Federico Parra / AFP

O autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, chegou nesta segunda-feira (4) na Venezuela. O líder da oposição ao chefe de Estado Nicolas Maduro aterrissou durante a tarde no aeroporto internacional de Caracas, sendo recebido por diversos simpatizantes e por embaixadores de países europeus e latino-americanos, de acordo com imagens transmitidas ao vivo na televisão.


“Continuamos nas ruas, a mobilização persiste! Estamos aqui, na Venezuela!”, disse Guaidó à multidão. “Estamos aqui como testemunhas da democracia e da liberdade, para que o presidente Guaidó possa voltar”, afirmou o embaixador da França em Caracas, Romain Nadal, pouco antes da chegada.

Já o representante da Alemanha, Daniel Kriener, afirmou que estava presente para garantir que o líder da Assembleia Nacional venezuelana pudesse retornar em segurança. Enquanto isso no resto do país, milhares de manifestantes, vestidos de branco e carregando a bandeira da Venezuela, começaram a se reunir nas principais cidades.

Os Estados Unidos prometeram nesta segunda-feira uma “reação imediata” em caso de “ameaças, violências ou intimidações” contra Guaidó, reconhecido por Washington como presidente interino. “O mundo está assistindo – Guaidó deve ser autorizado a voltar em toda a segurança”, disse o vice-presidente americano, Mike Pence.

Risco de prisão

O opositor corre o sério risco de ser preso. No entanto, ele afirma que, caso isso aconteça, este será “um dos últimos erros de Nicolás Maduro”. Prevendo uma reação deste tipo por parte do governo venezuelano, ele informou que deixou uma série de vídeos gravados nos quais estão especificadas as diretrizes que devem ser tomadas caso ele seja capturado ou algo de mal aconteça. O líder opositor também pediu apoio às mobilizações em todo o país. Segundo Guaidó, os aliados internacionais têm instruções claras caso Maduro decida aplicar retaliações. O autoproclamado presidente interino afirmou que “estamos mais fortes do que nunca e não é momento de esmorecer”.

Guaidó aproveitou a viagem para se reunir com presidentes e visitar alguns países da região: Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Todos receberam grande fluxo de migrantes venezuelanos que escaparam da crise. Guaidó afirmou que uma das conquistas desta viagem foi a de que venezuelanos com o passaporte vencido possam permanecer nos países. Sobre a entrada do primeiro carregamento da ajuda humanitária, Guaidó assumiu que a operação fracassou.

Tensão tende a subir

A situação no país é tensa, sobretudo na região das fronteiras. Cidadãos ainda protestam por causa do fechamento, há mais de uma semana, da passagem para a Colômbia, onde muitos venezuelanos trabalham ou estudam. Já perto do Brasil, o clima é de revolta por causa da morte de pelo menos sete índios da etnia pemón, durante ataques de forças do governo em retaliação ao impedimento de fechar a fronteira imposto pelos indígenas.

O retorno de Guaidó promete trazer de volta a agitação política e social que os venezuelanos estão acostumados. Desde que o deputado anunciou, em 23 de janeiro, que tomava a presidência interina e paralela do país, os opositores voltaram à cena política nacional e vêem no opositor a derradeira chance de mudar a situação da Venezuela. Além disso, até mesmo a base do chavismo, composta por pessoas de baixa renda, já admite que é impossível o país continuar como está. De acordo com a Hinterlaces, uma empresa nacional de pesquisas, cerca de 81% dos venezuelanos apoiam o diálogo entre governo e oposição.