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Maduro antecipa feriadão ignorando caos econômico da Venezuela

Por RFI

O feriado da Semana Santa começa hoje (15). Pelo menos aqui na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro criou um feriadão ao acrescentar três dias livres, de hoje a quarta-feira, além da quinta e sexta-feira santas. Com isso o país tem mais uma semana improdutiva.

Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela

A ordem foi dada para poupar energia durante este período de racionamento elétrico. No entanto, Maduro entrou em contradição. Primeiro, falou em reativar a produção nacional. Em seguida, anunciou as folgas.

A economia venezuelana, comprometida por diversos fatores, em março deste ano quase não produziu por causa das falhas elétricas. O setor petroleiro, que move a economia do país, também foi impactado.

Economia em estado crítico

De acordo com a Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP), a produção da Venezuela em março caiu 28,3% em relação a fevereiro. É o pior índice do país em três décadas.

O resultado deve ser ainda mais dramático no próximo levantamento. Zulia, localizado na região noroeste, é o principal estado produtor de petróleo da Venezuela e o que mais vem sofrendo com os cortes de energia.

O panorama da economia da Venezuela piora a cada dia.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) recuperar a saúde econômica do país demoraria entre uma ou mais décadas. Este ano os resultados serão, inclusive, abaixo do esperado. O Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o FMI, deve ter uma contração de 25%.

Além disso, o Fundo suspendeu o acesso da Venezuela a saques de quase 400 milhões de dólares, o que ajudariam o governo de Maduro a ter fôlego econômico. As reservas do país estão em ouro e por causa das sanções dos Estados Unidos a Venezuela está tendo dificuldades para vender o metal.

Não bastando os números da caótica economia, o FMI entrou em um impasse ao não reconhecer Juan Guaidó como presidente interino do país, por isso a Venezuela ficará sem acesso aos benefícios do Fundo.

De acordo com a Torino Economics, escritório de economia com sede nos Estados Unidos, “os apagões de março na Venezuela geraram perdas equivalentes a 3,3% do PIB”.

Disputa política continua

Os dois lados continuam na acirrada disputa. Enquanto Nicolás Maduro pouco aparece, Diosdado Cabello, que é o segundo do chavismo, vem percorrendo alguns estados da Venezuela. No entanto, ele não visitou Zulia, o Estado mais afetado pelo apagão.

Quem capitalizou com a situação foi o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. Ele visitou cidades deste estado, sendo aclamado por multidões.

Enquanto Maduro anunciou defender o país ao aumentar o número de integrantes da milícia bolivariana, composta basicamente por aposentados; Guaidó baixou o tom ao anunciar passos da “Operação Liberdade”, cuja meta é chegar à sede da presidência da Venezuela. Ele também minimizou ao afirmar que apenas a Assembleia Nacional, de maioria opositora, pode autorizar uma intervenção militar na Venezuela.

Ambos os lados vêm ponderando ações. Com isso, o chavismo que vem ganhando tempo, situação que gera apreensão entre os que clamam por uma mudança rápida e positiva no país.

Mike Pompeo encerra visita

Neste domingo, Mike Pompeo encerrou em Cúcuta, na Colômbia, a visita a quatro países da região. É por esta cidade que diariamente centenas de venezuelanos fogem após passar pelas “trochas” - os caminhos alternativos à fronteira, que continua fechada.

Após passar por Chile, Paraguai e Peru, Pompeo foi recebido por Ivan Duque, o presidente colombiano.

Pompeo afirmou que “Colômbia e os Estados Unidos querem um melhor futuro para os venezuelanos, sob a liderança do presidente Juan Guaidó e da democraticamente eleita Assembleia Nacional”.

No Peru, onde esteve no sábado, o secretário americano classificou de “desastroso” o governo de Nicolás Maduro. Por telefone, ele também falou sobre a crise venezuelana com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo.

Enquanto o americano visitava instalações no lado colombiano, o chefe de distribuição das caixas de alimentos subsidiadas por Maduro, Freddy Bernal, estava no lado venezuelano onde afirmou que “Mike Pompeo vem amedrontar e dar ordens ao servil Ivan Duque, (enquanto) nós estamos aqui em união cívico militar com os coletivos”, os paramilitares que defendem com armas a revolução bolivariana.

 

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