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Argentina Mauricio Macri Inflação

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Argentina lança pacote de emergência para tentar salvar a reeleição do presidente Macri

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Os ministros argentinos Dante Sica (Produção), Nicolás Dujovne (Economia) e Carolina Stanley (Desenvolvimento Social) anunciam o pacote em 17 de abril de 2019. Presidência Argentina

O governo argentino anunciou hoje um pacote de medidas para conter uma inflação galopante e para reativar a economia às vésperas da campanha eleitoral na qual o presidente Mauricio Macri, em franca queda da sua popularidade, tenta a reeleição.


Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

As medidas principais incluem o congelamento de 60 produtos da cesta básica de alimentos por seis meses, o congelamento de tarifas nos serviços de gás, eletricidade, transportes públicos e pedágios, o congelamento nos planos básicos de telefonia celular, além de descontos em medicamentos, roupas, eletrodomésticos e materiais de construção para aposentados e segmentos vulneráveis da população.

Haverá ainda preços reduzidos para determinados cortes de carne, além de créditos subsidiados para a casa própria. Também alívios fiscais para as pequenas e médias empresas, as que mais empregam e as que mais dificuldade têm de pagar impostos.

As medidas foram anunciadas um dia depois de divulgada uma alta de 4,7% na inflação de março, uma taxa mensal mais elevada do que a taxa anual de inflação nos países vizinhos.

Inflação acumulada de 54,7% em um ano

No primeiro trimestre, a inflação acumulada na Argentina chegou a 11,8%. Nos últimos doze meses, o acúmulo chega a 54,7%, a mais alta desde 1991 e que coloca a Argentina com a segunda maior inflação na América Latina depois da Venezuela.

Em boa parte, a inflação argentina vem da alta do dólar, referência para o sistema financeiro e termômetro usado pelos argentinos sobre a saúde da economia. Por isso, o Banco Central acaba de anunciar o congelamento do sistema de bandas cambiais pactado com o Fundo Monetário Internacional.

A banda, que tinha reajuste mensal de 1,75%, ficou congelada no piso de 39,75 pesos por dólar e no teto de 51,45 pesos por dólar. Dentro dessa faixa, o Banco Central não intervirá no mercado para conter o dólar. As medidas tiveram impacto imediato positivo e o dólar recuava 1,52% a 42,72 pesos.

Calcanhar de Aquiles

A inflação, coincidem os analistas políticos, é o grande calcanhar de Aquiles do presidente Mauricio Macri, quem sofre uma veloz deterioração da sua popularidade. As medidas de congelamento de preços e de tarifas terão uma duração de seis meses, exatamente o tempo que resta até as eleições de 27 de outubro nas quais Macri concorrerá à reeleição

"O que mais dano nos provoca é a inflação. Fizemos o que havia de ser feito para derrotar a inflação, mas, no curto prazo, está difícil", reconheceu Macri, para quem as medidas são "um alívio" enquanto a reativação da economia não chega.

"Tomamos medidas para gerar um alívio. São ferramentas para o curto prazo até que as questões de fundo funcionem", explicou Macri num vídeo nas redes sociais no qual visitava uma eleitora que se queixava da dificuldade de poder pagar as coisas mais básicas.

Logo após o vídeo, os ministros do Desenvolvimento Social, Carolina Stanley, da Produção, Dante Sica, e da Economia, Nicolás Dujovne, deram uma coletiva à imprensa na residência presidencial de Olivos.

"Para transitar melhor os próximos meses e para aliviar o bolso das famílias argentinas, não haverá aumentos. São medidas abrangentes", anunciou o ministro da Economia, Nicolás Dujovne.

"Há uma situação de angústia, de conseguir chegar até o final do mês. As medidas trazem alivio a essas famílias", coincidiu a ministra do Desenvolvimento Social, Carolina Stanley.

"Emergência política"

O analista político Rosendo Fraga definiu o pacote como de "emergência política".

"Estas medidas não são uma política de Estado. São um plano de emergência", sintetizou Fraga. "O cronograma eleitoral teve influencia nas medidas. A inflação é o problema econômico que mais afeta as pessoas e o que mais pode impactar eleitoralmente. Com a situação como vinha, a reeleição de Macri era bem difícil. O presidente toma essas medidas para tentar aumentar a sua possibilidade de reeleição", observa.

"A taxa de inflação dos próximos seis meses será o chave do sucesso ou do fracasso de Macri", concluiu Rosendo Fraga.

Ciente dessa encruzilhada, o presidente Mauricio Macri cancelou a viagem que faria a partir do dia 26 de abril à Bélgica, à França e à Suíça para poder acompanhar de perto a implementação das novas medidas.