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Biden inicia campanha em Pittsburgh para conquistar operários que votaram em Trump

Os democratas estão tentando todas as opções possíveis para tirar da Casa Branca o presidente americano, Donald Trump. Isso se reflete ao ainda considerarem o impeachment do líder republicano e também na quantidade de pré-candidatos. Vinte democratas se apresentaram até agora para a disputa das eleições primárias do partido. Quem lidera as primeiras pesquisas é o ex-vice-presidente Joe Biden, que se foca no voto da classe operária. 

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Entre os pré-candidatos democratas mais populares estão o senador Bernie Sanders (Vermont), a senadora Kamala Harris (Califórnia), o político e empresário Beto O’Rourke (Texas), e o recém-chegado na disputa, mas já em quarto lugar nas pesquisas, Peter Buttigieg, prefeito da cidade de South Bend, no Estado de Indiana. 

Esses pré-candidatos são todos de uma ala mais progressista do partido, com Bernie promovendo o socialismo, Kamala preenchendo alguns requisitos de diversidade, pois além de mulher é filha de pai negro e mãe indiana, Beto focando no combate aos perigos da mudança climática e Buttigieg sendo um candidato de apenas 37 anos e abertamente gay. 

Essas personalidades podem ser bastante atraentes para o que se chama de “novo” Partido Democrata, representado pela geração do milênio e por simpatizantes a causas progressistas. Mas a grande pergunta é se esse grupo bastante expressivo é suficiente para levar alguém à Casa Branca. 

Como a principal intenção é derrotar Trump em 2020, os democratas não podem arriscar. É aí que entra Biden. Além de ter sido vice de Barack Obama por oito anos, ele serviu como senador por décadas e, portanto, conta com vasta experiência política e é bastante conhecido dos americanos. No momento, o vice de Obama está liderando as pesquisas, com cerca de 27% das intenções de voto, seguido de Bernie, que tem cerca de 20%.

Campanha de Biden foca em "colarinhos azuis"

Biden lançou oficialmente sua campanha na semana passada e, na segunda-feira (29), realizou um comício em Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia. Sua campanha começou bem, pois conseguiu mais de US$ 6 milhões em doações, já nas primeiras 24 horas, o colocando na frente dos outros candidatos democratas. 

Biden foi astuto ao começar esta semana com o comício em Pittsburgh, uma cidade que tem orgulho da sua história na indústria metalúrgica e dos seus operários chamados de "colarinho azul" - trabalhadores sem diploma universitário - que trabalham duro para superar as muitas dificuldades que a cidade já enfrentou, como nos anos 1970 e 1980, com as crises do petróleo e do aço. 

O ex-vice de Obama, que nasceu e foi criado no estado da Pensilvânia, certamente sabe se comunicar com esse importante grupo de eleitores. No comício, ele afirmou se identificar com a classe média e ser partidário aos sindicatos, aproveitando para dar uma alfinetada em Trump, que pouco antes havia criticado pelo Twitter as lideranças dos sindicatos. 

Objetivo é recuperar eleitorado que votou em Trump

O discurso de Biden foi direcionado a esses operários de "colarinho azul" que, apesar de tradicionalmente serem democratas, em 2016, votaram no candidato republicano, pois se sentiam ignorados por Hillary Clinton, que lhes parecia elitista. Biden também se distanciou da mensagem globalista e acadêmica de Obama, optando por um discurso com tom nostálgico, que lembrava mais o velho Partido Democrata de John Kennedy e, mesmo mais tarde, de Bill Clinton. 

Ele destacou que foram esses trabalhadores que construíram os Estados Unidos e que eles eram essenciais para o futuro do país, merecendo ter uma maior participação na distribuição de riqueza, além de uma aposentadoria digna, focando em pontos bem centrais para a classe média enfraquecida. 

Apesar de o comício ter sido realizado em um local nada grandioso, um sindicato de caminhoneiros, Biden deu um clima de evento de eleição geral, como se já fosse o candidato democrata à presidência e só estivesse disputando mesmo com Trump, atacando diretamente às políticas do presidente, especialmente cortes de impostos para a classe alta, e não mencionando os outros candidatos do seu partido.
 

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