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Espanha não permitirá que opositor venezuelano exerça “ativismo político” na embaixada de Caracas

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O chanceler espanhol, Josep Borrell, em 20 de março de 2019. REUTERS/Javier Barbancho/File Photo

Libertado por um grupo de soldados insurgentes, o oponente venezuelano Leopoldo López já se encontra ameaçado de prisão, anunciada nesta quinta-feira (2) pelo Supremo Tribunal de Justiça, que apoia Nicolas Maduro. A Espanha descartou nesta sexta-feira (3) entregar o opositor às autoridades venezuelanas, enquanto ele estiver refugiado, junto com a família, na embaixada do país em Caracas. No entanto, o chanceler espanhol garantiu que o país não permitirá que López transforme a embaixada em “centro de ativismo político”.


Até sua libertação na última terça-feira, Leopoldo López era o prisioneiro político mais famoso da Venezuela. Oponente de longa data do governo Chávez, ele foi preso em 2014 por encorajar protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram dezenas de mortos. Figura carismática e controversa, criticado por alguns, amado por outros, acredita-se que López tenha desempenhado um papel importante nas últimas semanas, à sombra de Juan Guaidó, de quem é um dos mentores.

Durante uma coletiva de imprensa na embaixada espanhola, onde se refugiou, Leopoldo López disse que havia discutido com muitos soldados, prontos a se juntarem à oposição. "Por mais de três semanas, organizei reuniões em casa, onde estive em prisão domiciliar. Conheci comandantes e generais com quem me comprometi a, junto ao povo e ao Exército, em conjunto, tentar parar a usurpação [do poder]. E posso dizer que o que começou em 30 de abril é um processo irreversível", disse López.

No entanto, o chanceler espanhol disse nesta sexta-feira que Madri não permitirá que o líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, transforme a embaixada espanhola em Caracas em um "centro de ativismo político". "A Espanha não permitirá que sua embaixada se torne um centro de ativismo político", disse o ministro Josep Borrell, que está visitando o Líbano.

"Nós também estamos convencidos", continuou ele, "que, nestas condições, a Venezuela respeitará a imunidade diplomática da residência do embaixador” onde Leopoldo López se refugiou na terça-feira com sua esposa e filha, depois de ser escapado de sua prisão domiciliar. O oponente de 48 anos realizou uma coletiva de imprensa na residência nesta quinta-feira (2), dizendo que a revolta militar anunciada pelo líder da oposição, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, incluindo a Espanha, estava apenas começando. Até agora, o Exército parece não ter seguido a liderança de Guaidó.

"A queda começou para o regime venezuelano e é um processo irreversível", acrescentou López, assegurando que haveria "mais movimento no setor militar".

Lutar “contra os golpistas”

No entanto, ainda não sabemos quantos soldados realmente aderiram à oposição. Ao mesmo tempo, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, quer mostrar que mantém seu controle sobre o Exército: em discurso na presença do alto comando militar, ele convocou todos os soldados venezuelanos a "lutarem contra os golpistas".

O presidente venezuelano acusa López de liderar pessoalmente "uma tentativa de golpe" na terça-feira (30) ao lado Juan Guaidó, e se comprometeu a "punir todos os traidores" que participaram da operação.

Com informações da AFP e do correspondente da RFI em Caracas, Benjamin Delille.