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Reforma radical de política de imigração proposta por Trump foca trabalhadores qualificados

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Donald Trump discursa para uma pequena plateia reunida no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington. REUTERS/Joshua Roberts

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou nesta quinta-feira (16) um plano radical de reformas do sistema de imigração americano que dará "inveja ao mundo", segundo ele. Trump destacou que dará prioridade aos solicitantes qualificados que tenham uma oferta de emprego nos Estados Unidos. O projeto propõe uma alternativa ao atual modelo, desgastado por "demandas frívolas" nas palavras do republicano.


"Se for adotado, nosso plano transformará o sistema de imigração dos Estados Unidos no orgulho da nossa nação e causará inveja do mundo moderno", disse Trump durante a apresentação do programa na Casa Branca. Caso venha a ser aprovado pelo Congresso, o conjunto de medidas aumentará significativamente a cota de trabalhadores qualificados no país, afirmou o presidente.

"A maior mudança que fazemos é aumentar a proporção de imigrantes altamente qualificados de 12% para 57%, e gostaria de ver até se podemos aumentar isso", declarou Trump. "Isso nos colocará em linha com outros países e nos deixará competitivos em nível mundial", alegou.

A proposta inclui, segundo ele, a exigência de que os candidatos aprendam inglês e saibam dados básicos sobre a história e a sociedade americanas. "Vai-se exigir deles que aprendam inglês e façam uma prova de educação cívica antes da admissão", acrescentou.

O projeto de Trump prevê um nível constante de imigração, com 1,1 milhão de chegadas por ano. Já os vistos de residência concedidos por razões familiares devem diminuir de um terço.

Durante décadas, as leis de imigração para os Estados Unidos deram prioridade ao reagrupamento familiar. Todo ano, quase dois terços dos destinatários do "green card" (o visto de residente permanente) são concedidos a familiares de pessoas já residindo em território americano.

A reforma ainda prevê um endurecimento dos controles nas fronteiras e a construção de novas barreiras na fronteira sul, com o México. A questão dos imigrantes que chegam em caravanas, principalmente da América Central, não foi citada, tampouco a situação dos 'dreamers', os imigrantes que chegaram ilegalmente aos EUA, ainda menores, acompanhando seus pais.

Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia inspiraram projeto

Esta reformulação da política de imigração, pensada em grande parte por assessores próximos do presidente, como seu genro Jared Kushner e Stephen Miller, tem poucas chances de ser aprovada na Câmara dos Representantes, de maioria democrata desde janeiro. O principal objetivo da proposta é obter uma união dos republicanos, em vista das eleições presidenciais e legislativas de 2020, abordando por antecipação um tema particularmente delicado, que sempre causou divisões.

Kushner e os demais autores das recomendações estudaram as políticas de imigração de países como Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Eles buscaram elementos sobre maneiras de direcionar a imigração para trabalhadores qualificados e não mais o reagrupamento familiar. Os assessores descobriram que apenas 12% da imigração para os Estados Unidos foi definida com base no emprego e nas qualificações dos solicitantes, comparado com 63% no Canadá, 52% no Japão, 57% na Nova Zelândia e 68% na Austrália.

"Se por razões diversas, talvez políticas, nós não conseguigamos aprovar este plano com base no mérito e na segurança máxima, nós o adotaremos logo depois das eleições, quando tivermos recuperado a maioria na Câmara, mantido o Senado, e, claro, a presidência", disse Trump, em um discurso proferido no
Jardim das Rosas da Casa Branca.