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Em Buenos Aires, Bolsonaro diz acreditar na "inocência de Neymar"

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Jair Bolsonaro e Maurício Macri em 6 de junho de 2019 em Buenos Aires, na Argentina. Foto: Presidência da Argentina

Em Buenos Aires, presidentes do Brasil e da Argentina anunciaram estar prestes a fechar acordo comercial com União Europeia. Bolsonaro também pediu que argentinos votem em Macri para evitar que a "Argentina se torne uma Venezuela", em alusão a eventual retorno de Cristina Kirchner ao poder.


Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O presidente Jair Bolsonaro acredita que o jogador de futebol Neymar Jr. é inocente perante a acusação de abuso sexual. "Pelo que vi até agora, é [inocente]", respondeu Bolsonaro aos jornalistas na entrada do hotel Alvear, antes de um encontro com empresários argentinos.

"Se você analisar bem o contexto, o que ela fez atravessando o Atlântico? E ela falou na entrevista que foi para lá pra fazer amor com ele (Neymar)”, argumentou em defesa do jogador. Perguntado se Neymar não teria sido muito "amoroso", Bolsonaro respondeu que "não estava no quarto". "Aí não sei, eu não estava dentro do quarto”, desculpou-se.

Jair Bolsonaro falou sobre a visita ao jogador no Hospital Home em Brasília nesta madrugada. "Conversei amenidades com ele. Fui bater um papo, dar apoio moral”, minimizou o presidente, que lamentou o corte do jogador da lista de escalados para a Copa América, devido a uma contusão. "Acho que todo mundo quer ver o Neymar jogar. Até o povo argentino”, concluiu.

Acordo com União Europeia dentro de três semanas

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Argentina, Mauricio Macri, anunciaram que o Mercosul está prestes de fechar um acordo de comércio livre com a União Europeia depois de mais de 20 anos de negociações.

"Estamos na iminência de assinar um acordo do Mercosul com a União Europeia. Trouxemos [à Argentina] todos os ministros que interessam para a confecção desse objetivo. Todos nós ganharemos com isso", concluiu Bolsonaro, em visita de Estado à Argentina.

A seu lado, Macri reforçou: "Estamos muito perto de um acordo com a União Europeia", anunciou o presidente argentino durante declaração na Casa Rosada, sede do governo argentino.

Na presidência rotativa do Mercosul até 17 de julho, Macri tem a expectativa de fechar o acordo nas próximas semanas como uma forma de potencializar a sua campanha eleitoral baseada na inserção da Argentina no mundo, objetivo que perseguiu desde que tomou posse em dezembro de 2015.

Ao assumir em janeiro, Bolsonaro defendeu flexibilizar o Mercosul para que se abrisse ao mundo, processo que os integrantes do bloco, na verdade, iniciaram com a virada da região à direita, a partir da chegada de Macri à Presidência. Macri garantiu "estar seguro sobre a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia nas próximas semanas".

A reunião técnica entre os dois blocos vai acontecer no próximo dia 20 em Bruxelas. Se a negociação avançar, haverá uma reunião ministerial no dia 27, também em Bruxelas, já para fechar um entendimento. Bolsonaro também pediu que argentinos votem em Macri para não permitir que a "Argentina se torne uma Venezuela".

"Toda a América do Sul está preocupada para que não tenhamos novas Venezuelas na região. Conclamo o povo argentino a ter responsabilidade e que Deus abençoe a todos eles que terão em outubro eleições", rogou Jair Bolsonaro, durante declaração ao lado do presidente argentino.

O presidente brasileiro colocou-se como exemplo do que os argentinos deveriam seguir. "Todos têm que ter, assim como o Brasil em grande parte teve, muita responsabilidade, muita razão e menos emoção para decidir o futuro da Argentina", indicou em pedido tácito de votos a Macri a quem chamou de irmão.

"Presidente Macri, meu irmão, temos praticamente os mesmos ideais", concluiu, diferenciando-o da oponente, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que concorrerá à vice-presidência. Jair Bolsonaro, no entanto, não citou o nome de Cristina Kirchner.

Na sequência da declaração na Casa Rosada, Bolsonaro voltou a alertar os argentinos sobre o que entende por "retrocesso". Foi no brinde prévio ao almoço oferecido por Macri.

Kirchner

"As experiências do passado devem servir como lição para não flertarmos com o que não deu certo como na Venezuela", insistiu em referência à Kirchner. "Mais importante que a questão da corrupção é a questão ideológica. A ideologia pode levar a liberdade", advertiu Bolsonaro, para quem a esquerda é sinônimo de autoritarismo.

A ex-presidente argentina responde a 13 processos penais, a maioria por corrupção. Está desde o último dia 21 sob julgamento e tem sete pedidos de prisão preventiva que só não são executados devido à sua imunidade como atual senadora.

Cristina Kirchner anunciou que vai concorrer à vice-presidência, tendo como candidato a presidente o seu ex-chefe de Gabinete, Alberto Fernández. A estratégia visa diminuir a polarização sobre o seu resistido nome enquanto mantém a imunidade do cargo de vice-presidente que, na Argentina, ocupa automaticamente a presidência do Senado.

Mas, apesar do clima de plena integração, também houve tempo para provocações. E foi Bolsonaro quem cutucou Macri: "Estamos indo tão bem que só falta a Copa América", brincou. Logo depois, deu uma camisa da seleção com o nome de Macri como jogador brasileiro. Macri não vestiu a camisa, mas colocou o boné também da seleção brasileira.