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Acordo contra imigração foi negociado sob ameaças de Trump contra o México, dizem democratas

O fim de semana foi marcado por fortes críticas sobre o acordo entre os Estados Unidos e o México para conter a imigração ilegal na fronteira entre os dois países. Na última sexta-feira (7), o presidente americano, Donald Trump, comemorou o compromisso com o governo mexicano nas redes sociais e cancelou as tarifas sobre as importações que passariam a valer a partir desta segunda-feira (10). 

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Muitos especialistas e políticos não veem com bons olhos a maneira agressiva que o presidente Donald Trump tem usado para negociar com os outros países. Tem sido assim com a China, na batalha comercial, e em todo esse desenrolar da crise com o México.

Segundo opositores, Trump ameaça e chantageia para conseguir o que quer. Já o ex-presidente da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, afirmou que o presidente americano "faz reféns", sem se preocupar com regras, diplomacia ou ética.

Os democratas se manifestaram durante o fim de semana afirmando que os Estados Unidos falharam nos Protocolos de Proteção aos Migrantes. Segundo eles, Trump fechou o acordo diante de ameaças e birras que não deveriam ser métodos utilizados nas negociações de política externa.

Além disso, os opositores alegam que boa parte desse acordo já havia sido negociado com o México há muito tempo e antes das ameaças de impor as tarifas de 5% sob as importações mexicanas e que chegariam até 25% em outubro.

NYT critica postura de Trump

O jornal The New York Times publicou uma grande matéria sobre os antigos diálogos em prol do compromisso encontrado e criticando a postura de Trump em se mostrar como um grande negociador.

No Twitter, o presidente chamou o diário de "mídia corrupta". Segundo ele, "se fosse Obama que tivesse fechado o acordo, a grande imprensa estaria comemorando muito".

O líder republicano ainda aproveitou para ameaçar o México, dizendo que pode voltar atrás e impor as tarifas, se o governo do país vizinho não puser em prática o que prometeu. Também fez suspense: disse que existem cláusulas secretas do compromisso, que ainda não foram divulgadas e que serão anunciadas em tempo devido.

Trump também afirmou que o México aceitou começar a comprar grandes quantidades de produtos agrícolas americanos. No entanto, essa informação não foi lida na declaração conjunta dos dois países.

Muitos americanos - principalmente empresários - comemoram a marcha-ré sobre a aplicação das tarifas sobre os produtos mexicanos. Cerca de 80% das exportações do México vão para os Estados Unidos, que compram do vizinho desde tempero verde até carros

Reações no México

Os principais partidos de oposição mexicana criticaram o acordo considerando que o presidente do México, Andres Manuel Lopez Obrador, se rendeu às exigências de militarizar a fronteira, e que a soberania e a dignidade do México foram prejudicadas nesse acordo negociado sob ameaças.

O fato de o México se responsabilizar em abrigar todos os migrantes que não puderem entrar nos Estados Unidos também gerou muitas críticas, já que o país ficou encarregado de dar saúde, educação e até emprego a essas pessoas, enquanto não tiverem o pedido de asilo avaliado. No entanto, esse processo já vem acontecendo desde janeiro; as pessoas estão permanecendo no México.

Obrador disse que, com a assinatura do acordo, pretende mostrar que prioriza o diálogo, colaboração e amizade com os Estados Unidos. Segundo ele, se as tarifas entrassem em vigor colocariam o México em uma situação difícil e desconfortável.

Analistas políticos dizem que o presidente mexicano, de esquerda, está sendo contraditório ao que pregou durante toda a campanha para presidente, ou seja, uma política de portas abertas à migração. Ao contrário, está impondo uma cartilha em sintonia com a política imigratória dos Estados Unidos.

Tráfico humano

O México se comprometeu em combater os grupos de tráfico humano, os chamados coiotes, que cobram para transportar os migrantes de vários países da América do Sul, inclusive do Brasil, e da América Central até os Estados Unidos.

Além disso, a guarda nacional fará o policiamento da fronteira sul do México com a Guatemala. Segundo analistas, essa dobradinha só beneficiará os traficantes de pessoas, que desenvolverão novas técnicas para a travessia e aumentarão os preços. Quanto maior a dificuldade na fronteira, mais caro ficará "o serviço".

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