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Foto de pai e filha mortos ressalta drama humano no debate sobre a imigração nos EUA

A foto de um imigrante de El Salvador que morreu abraçado à filha ao tentar atravessar a nado a fronteira entre o México e os Estados Unidos se transformou em mais um retrato da crise imigratória na região. A imagem causou comoção internacional: até o papa Francisco declarou estar profundamente entristecido. Nessa quarta-feira, o Senado americano aprovou uma medida que destina US$ 4,6 bilhões para o tema.
 

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

A imagem devastadora que mostra esse triste final para uma jornada angustiante comoveu o país, tanto quanto o resto do mundo. O desespero de uma família, que chega ao ponto de arriscar a vida, e as trágicas consequências que costumam passar despercebidas no debate sobre a política de fronteira foram muito comentados. A imagem lembra que ninguém se arrisca com uma criança no colo por nada, e coloca o problema humano na raiz da discussão.

A foto lembrou muito a do menino sírio Aylan, 3 anos, encontrado morto em uma praia da Turquia, em 2015, após uma embarcação de migrantes afundar. São cenas perturbadoras de histórias pessoais, que chamam a atenção para os horrores das guerras, crises e o sofrimento dos refugiados e migrantes, assim como alertam para a emergência de se encontrar uma solução para problemas gigantescos ligados à questão migratória.

A TV americana destacou, por exemplo, é que muito se fala sobre os hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos que fazem parte da caravana que tenta entrar no país, mas pouco se aprofunda nos motivos que os fazem arriscar a vida pelo sonho americano.
El Salvador, de onde vinham o pai Óscar e a filha Angie Valeria da foto, tem a maior taxa de homicídios do mundo, em parte devido a gangues que fugiram da guerra contra as drogas no México, além de enfrentar uma crise econômica.

Donald Trump durante coletiva a imprensa nesta quarta-feira 26/06/19 REUTERS/Jonathan Ernst

Trump culpa democratas, que denunciam “caos” no governo

Nesta segunda-feira, mais quatro guatemaltecos - três crianças e uma mulher - foram encontrados sem vida no deserto do Texas. Eles provavelmente morreram de desidratação.

Os números oficiais dizem que pelo menos 283 migrantes morreram tentando chegar aos EUA em 2018, mas ativistas rebatem e dizem que o número real é muito maior.

Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), o presidente Donald Trump foi questionado sobre o que achou da foto. Trump respondeu que “odiou”, e que isso poderia acabar imediatamente se os democratas aceitassem mudar a lei de imigração. O líder do Partido Democrata no Senado levou a imagem para o plenário. Chuck Schumer disse que o que está acontecendo é resultado do caos no governo.

Vários dos pré-candidatos democratas à presidência culparam a política de tolerância zero do presidente e inclusive afirmaram que ele é desumano e deve ser responsabilizado por essas mortes.

A foto e toda a crise humanitária da fronteira foi um dos principais assuntos do primeiro debate dos pré-candidatos democratas à presidência, que aconteceu na noite desta quarta-feira.

O acordo que foi fechado com o México, no qual o país vizinho também se responsabilizou em aumentar a segurança nas fronteira, parece ter colaborado para o desespero do pai ao atravessar o rio com a filha. No dia seguinte à tragédia - ou seja, na segunda-feira -, o México mandou mais policiamento para as fronteiras. Muitos migrantes têm se arriscado mais nos últimos tempos, sabendo que a cada dia o cerco se fecha mais um pouco.

Condições de abrigos para menores

Se a pequena Angie Valeria, de um ano e 11 meses, que morreu abraçada ao pai tivesse sobrevivido à travessia, provavelmente seria separada dos pais e levada para um dos abrigos em condições deploráveis nos quais estão essas crianças na fronteira.

No começo dessa semana, mais de 300 menores foram transferidos de um desses centros, por serem insalubres. Advogados que visitaram o centro de Clint, que fica no Texas, disseram que as crianças estavam sem conseguir dormir por estarem famintas, além de estarem sujas, sem tomar banho e nem mudar de roupa desde que chegaram ao abrigo, há várias semanas. Além disso, relatam que não havia ninguém para cuidar delas - as maiores, de sete ou oito anos, é que cuidavam dos bebês menores, que nem fralda tinham.

Os defensores contam que as crianças estavam presas em celas pequenas, com banheiros imundos, perto dos quais comiam e dormiam. Em resumo: as condições sanitárias e sociais são mais do que críticas, com infestação de piolhos e surto de gripe.

O fato fez o comissário interino da guarda da fronteira pedir demissão, enquanto Trump fez pouco caso, recusou qualquer responsabilidade pelas instalações e disse que foram construídas pelo presidente Barack Obama. Na terça-feira, mais 100 menores foram transferidos para o local, nas mesmas condições. O governo quer prender imigrantes e separar as crianças dos pais - mas não tem estrutura para implementar essa política dura contra a imigração.

Nesta quarta-feira, o Senado aprovou um fundo de US$ 4,6 bilhões para a crise imigratória, mas é uma versão diferente do fundo aprovado pela Câmara na véspera. A Câmara tem maioria da oposição e o Senado, maioria republicana. Enquanto os democratas querem que o fundo seja usado para questões humanitárias – e não para a construção do muro, de prisões ou centros de detenção -, o Senado aprovou uma medida sem tantas restrições. As duas casas agora precisam chegar o consenso nos próximos dias, antes do recesso do feriado de 4 de julho.

 

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