rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Central sindical argentina classifica acordo UE-Mercosul como “industricídio”

Não é apenas a França que está reticente sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Na Argentina, a oposição chegou a declarar que o compromisso é uma "tragédia" ou um “industricídio”, como classificou a Central Geral dos Trabalhadores. Preocupado, o presidente Mauricio Macri receber nesta quarta-feira (3) representantes de mais de 30 câmaras empresariais para explicar os detalhes do tratado.

Marcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

As reações do governo francês sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foram recebidas com cautela na Argentina, mas sem surpresas. O governo Macri entende que as declarações tinham como alvo os produtores agropecuários franceses que emperraram as negociações.

O ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, que participou das discussões sobre o acordo, afirma que confia na ratificação do compromisso pela França porque o texto "é muito equilibrado em termos de demandas e de concessões". Segundo ele, as incertezas do governo Macron são "um bom sinal para os argentinos", porque demonstra que a França "não ganhou tudo o que queria ou que teve de ceder mais do que pretendia".

Já o chanceler Jorge Faurie advertiu que será "muito difícil mudar as coisas que já estão assinadas e negociadas".

Oposição contra o acordo

A Argentina está em plena corrida eleitoral para as eleições de outubro. O candidato que lidera as pesquisas, Alberto Fernández, na chapa de Cristina Kirchner, candidata a vice, disse que, com o compromisso, o setor automotivo será um dos mais castigados. Segundo ele, se a Argentina perde, não há razões para se assinar um acordo com a Europa. Fernández também avisou que, se for eleito pode rever outras decisões de Macri. 

A Central Geral dos Trabalhadores, que apoia Fernández e critica Macri, classificou o acordo como um "industricídio", ou seja, o homicídio da indústria argentina, especialmente no setor de auto-peças. 

Macri, que concorre à reeleição, já começou a usar o compromisso em sua campanha. Nas últimas horas, ao visitar as obras de uma auto-estrada, ele declarou que "o acordo abre um enorme futuro para a Argentina".

A estratégia de Macri é apontar para um horizonte de crescimento a partir de uma reinserção da Argentina no cenário internacional com uma economia aberta e competitiva. O presidente aponta para o futuro porque, no presente, o país está em recessão desde o ano passado.

Empresários estão inseguros

Os setores agropecuários apoiam o acordo comercial. Já as câmaras empresariais oscilam entre apoio e dúvidas. Para Guillermo Moretti, vice-presidente a União Industrial Argentina, o compromisso "não é uma boa notícia para a indústria argentina".

Para seduzir os empresários, Macri receberá nesta quarta-feira mais de 30 câmaras empresariais para esclarerer os detalhes do acordo. Depois do encontro, os ministros que participaram das negociações farão um trabalho junto aos setores mais sensíveis à concorrência europeia.

O objetivo do governo é conter esses setores para evitar que empresários e sindicatos juntos disseminem dúvidas sobre o acordo. Como na França, as organizações sindicais são muito fortes na Argentina. 

Pântano político

Se Macri ganhar as eleições de outubro, o acordo terá grandes chances de ser aprovado. Se ele perder, tudo ficará num pântano político. 

As pesquisas de intenção de voto indicam um empate técnico entre Macri e Fernández, contrário ao livre comércio. A oposição tem uma vantagem de três ou quatro pontos, mas o número de indecisos é alto. Conquistando essa fatia do eleitorado é que o governo acredita poder reverter esse quadro. 

A aprovação do acordo entre o Mercosul União Europeia no Congresso argentino provavelmente será tarefa dos novos legisladores eleitos em outubro. Durante o período eleitoral, é difícil que haja quorum para uma votação.

O governo brasileiro teme que a disputa política argentina emperre o compromisso. Por isso, quer aprovar uma cláusula que permita aos membros do Mercosul entrarem individualmente no acordo à medida que cada Parlamento aprovar o texto, sem esperar que todos os países o ratifiquem, como funciona atualmente. A questão, aliás, será discutida durante a próxima reunião de Cúpula do Mercosul na Argentina, daqui a duas semanas. 

Israel recua e autoriza visita de deputada americana “por razões humanitárias”

Tropas chinesas na fronteira com Hong Kong anunciam mais tensão nos protestos

Suécia endurece lei antitabaco e proíbe até cigarro eletrônico em locais públicos

Festival de Cinema de Locarno tem filmes sobre índios e negros no Brasil

República Democrática do Congo não consegue conter ebola e registra novas contaminações

Renegociação do acordo sobre Itaipu não põe fim à crise política no Paraguai

EUA e China retomam negociações comerciais em Xangai, mas sem grandes entusiasmos

Após fim de semana de confrontos em Hong Kong, Pequim quer punição dos manifestantes

Festival de música eletrônica expõe Bélgica como polo europeu de drogas pesadas

Reino Unido: imbróglio do Brexit e crise com Irã à espera do novo primeiro-ministro