rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Estados Unidos Deportação Imigrantes clandestinos

Publicado em • Modificado em

Trump confirma operação de deportação de imigrantes neste fim de semana

media
Centro de detenção para menores migrantes desacompanhados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA em Carrizo Springs, Texas, EUA, em 10 de julho de 2019. REUTERS/Julio-Cesar Chavez

O presidente americano Donald Trump confirmou na sexta-feira (12) que a vasta operação para deportar imigrantes sem documentos ocorrerá mesmo neste final de semana, nos Estados Unidos. A data tinha sido informada pelo jornal The New York Times de quinta-feira (11), provocando críticas da oposição democrata.


Em entrevista a jornalistas no jardim da Casa Branca, Trump justificou a operação afirmando que os imigrantes “entraram ilegalmente" no país. Ele informou que a polícia de imigração irá “expulsar essas pessoas e levá-las de volta a seus países".

A ação policial havia sido inicialmente anunciada pelo presidente americano para 21 de junho. Trump adiantou na época que deportaria "milhões de estrangeiros". A data foi adiada em duas semanas, oficialmente, para dar tempo ao Congresso de encontrar um compromisso sobre as medidas de segurança a serem adotadas na fronteira com o México.

Democratas advertem contra deportação em massa

Na quinta-feira, após a confirmação da data pelo The New York, os deputados democratas solicitaram ao presidente Donald Trump que proteja as famílias e as crianças de imigrantes que moram há muitos anos no país.

Um alto funcionário do Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE), citado pelo jornal, revelou que o órgão tem uma lista com milhões de nomes de pessoas passíveis de deportação. Segundo o New York Times, a operação foi adiada nas últimas semanas por enfrentar resistência dentro do próprio ICE.

A matéria do jornal revela que a ação policial de domingo visaria cerca de duas mil pessoas, em ao menos 10 cidades. Ela poderia incluir "deportações colaterais", o que significa que pessoas encontradas com os imigrantes procurados também podem ser apreendidas pelos agentes.

A líder da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, qualificou as deportações anunciadas de ato "sem coração" e recordou que no domingo muitas famílias de origem latina frequentam a Igreja. "As famílias devem ficar unidas. Todos neste país têm direitos. Muitas destas famílias têm status misto", disse Pelosi sobre os lares onde imigrantes em situação irregular convivem com cônjuges e filhos americanos ou que têm situação migratória legal.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, pediu que governo "pare de separar as crianças de suas famílias".

Recursos contra as expulsões

O jornal detalha, no entanto, que nesta primeira onda de deportações são visados os clandestinos que entraram recentemente no país. Eles fizeram pedidos para a regularização da situação deles nos Estados Unidos no final de 2018 e receberam, em fevereiro passado, uma ordem de expulsão do território.

Várias organizações de direitos humanos entraram com recurso em um tribunal de Nova York contra as ordens de expulsão e pedindo que os eventuais imigrantes detidos na operação sejam ouvidos por um juiz, antes de qualquer deportação.

Ken Cuccinelli, diretor interino do Bureau de Serviços de Cidadania e Imigração na Casa Branca, revelou na quarta-feira (10) que o organismo está autorizado a expulsar cerca de um milhão de pessoas, mas admitiu que não há recursos humanos ou capacidade logística para tamanha intervenção.

De acordo com os funcionários do ICE entrevistados pelo The New York Times, o objetivo do governo é demonstrar sua força para dissuadir os migrantes que pretendem entrar nos Estados Unidos a partir do território mexicano.

O tema será abordado nesta segunda-feira (15) por Donald Trump que recebe em Washington a visita do presidente guatemalteco Jimmy Morales. A Guatemala é, ao lado de Salvador e Honduras, o país de onde tem saído a maioria dos candidatos a imigração nos Estados Unidos nos últimos anos.