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Eleição argentina pode complicar planos de integração do Mercosul à economia mundial, alerta Paulo Guedes

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O ministro brasileiro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, alerta para o possível impacto da eleição presidencial argentina no Mercosul. REUTERS/Adriano Machado

O ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, vê o resultado das eleições na Argentina, em outubro, como uma ameaça ao livre-comércio, aos planos de integração do bloco à economia mundial e ao objetivo máximo de uma moeda em comum entre os dois países. A declaração foi feita durante a 54ª Cúpula do Mercosul em Santa Fé.


Enviado especial da RFI a Santa Fé

Paulo Guedes explicou que a participação do Brasil no Mercosul, bloco que forma com Argentina, Paraguai e Uruguai, está voltada à ideia de "uma abertura econômica e uma integração à economia mundial".

"Nós queremos um Mercosul que seja um veículo para a modernização e para a abertura das economias", anunciou Paulo Guedes em encontro com jornalistas durante a cúpula. A reunião é a primeira depois do histórico acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia, fechado em 28 de junho.

"Caso contrário, o Mercosul não nos interessa", advertiu Guedes, antes de alertar um possível impacto da política local. "Não temos certeza do que vai acontecer. Temos uma eleição agora na Argentina. Não sabemos o que vai acontecer na Argentina".

Em outubro, os argentinos vão às urnas para escolher dois modelos de país completamente antagônicos: um aberto ao mundo por meio do livre-comércio, representado pela candidatura à reeleição de Mauricio Macri, ou um mais isolado, baseado no protecionismo do candidato Alberto Fernández, líder nas pesquisas de intenção de voto.

"Nos últimos 30 anos, ficamos para trás porque o Mercosul estagnou as economias de Brasil e Argentina ao ficar alinhado a uma ideologia obsoleta. Queremos ir a um modelo de integração competitiva com as economias globais", disse Guedes, apontando uma sintonia de pensamento entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, da Argentina, Mauricio Macri, e dos Estados Unidos, Donald Trump.

"O presidente Bolsonaro pensa assim, Macri pensa assim e Trump pensa assim. Estamos conversando", disse em referência ao Mercosul começar a negociar acordos com os Estados Unidos.

Moeda comum entre Brasil e Argentina

Paulo Guedes voltou a cogitar a possibilidade de Brasil e Argentina adotarem uma moeda comum, o peso-real. A hipótese foi revelada em 6 de junho durante a visita bilateral do presidente Jair Bolsonaro à Argentina. Para Guedes, uma moeda comum seria o objetivo final de uma integração.

"Quando os países fazem integrações comerciais, e o melhor exemplo disso é a Europa, lá na frente desembocam numa moeda comum como foi o euro. Você facilita a integração quando desemboca numa moeda comum", indicou. "Mas, do ponto de vista objetivo, não houve nada ainda. Foi uma conversa apenas. Falávamos sobre um horizonte. Do nosso ponto de vista, era um horizonte distante. Não é algo simples. É algo que deveria ser muito estudado", explicou Guedes.

Indagado pela RFI se o plano de uma moeda comum poderia ser afetado caso houvesse uma mudança de tendência política na Argentina nas próximas eleições, Paulo Guedes sentenciou: "Se mudar o signo político, pode ser até impossível. Não sabemos", respondeu.