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Preso por abusar de menores, magnata amigo de Trump aparece morto em sua cela

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Jeffrey Epstein já havia sido registrado como agressor sexual pelas autoridades. New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/Fil

O bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de abuso sexual de menores, foi encontrado morto na prisão. O magnata de 66 anos, que trabalhou com inúmeros políticos e celebridades e já tinha uma condenação por crimes sexuais, teria se enforcado.


O corpo de Jeffrey Epstein foi encontrado em sua cela neste sábado (10). O Departamento de Prisões confirmou a informação, mas não soube dizer como um prisioneiro conseguiu tirar a própria vida em uma instalação de alta segurança depois de já ter tentado o suicídio uma primeira vez. O FBI, a polícia federal americana, anunciou imediatamente que abriu uma investigação sobre o caso.

Epstein havia sido levado em 6 de julho para o Centro Correcional Metropolitano, uma instalação federal de segurança máxima em Manhattan que é frequentemente usada para abrigar suspeitos à espera ou durante o julgamento. Foi nesse centro que o traficante de drogas Joaquín "El Chapo" Guzmán passou dois anos e meio preso.

O magnata era acusado de tráfico e exploração sexual de menores e de conspiração criminosa, acusações passíveis de punição com um total de 45 anos de prisão. Ele teria levado menores de idade, algumas delas com apenas 14 anos, para suas residências em Manhattan e em Palm Beach, na Flórida, entre 2002 e 2005, para relações sexuais em troca de algumas centenas de dólares.

Segundo a acusação, Epstein "também pagava suas vítimas para recrutarem mais meninas para serem abusadas". Os promotores alegaram que Epstein estava "consciente de que muitas das vítimas eram menores".

O bilionário sempre negou as acusações, mas um juiz federal rejeitou o pedido de liberdade condicional feito por sua defesa. A Justiça avaliou que o magnata representava um risco para a sociedade e que ele poderia tentar fugir, já que tinha os meios para isso.

Durante uma busca realizada em sua casa em Nova York, as autoridades encontraram em um cofre "dezenas de diamantes" e "maços de notas", além de passaporte austríaco falso.

Príncipes e presidentes estão entre os amigos famosos de Epstein    

Desde que o processo começou, a investigação mostrou que várias personalidades teriam participado de orgias organizadas por Epstein. 

O magnata é conhecido por seus amigos ilustres, como o presidente Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew da Grã-Bretanha. Em uma entrevista à New York magazine em 2002, o atual chefe da Casa Branca apresentava Jeffrey Epstein como “uma cara genial”. “É um prazer passarmos tempo juntos. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu. E muitas são bastante jovens”, declarou Trump na ocasião.

O bilionário já havia sido condenado por pagar jovens por massagens sexuais. Mas ele conseguiu evitar ser acusado criminalmente nesses casos assinando um acordo controverso, no qual se declarava culpado de um crime estadual de solicitar prostituição a um menor. Ele chegou a ser registrado como agressor sexual e passou 13 meses em uma prisão do condado, da qual podia sair durante o dia, voltando todas as noites para a cadeia, antes de ser libertado em 2009.

Com sua idade, se fosse condenado agora e sentenciado a até 45 anos de prisão, isso configuraria uma pena de prisão perpétua.

(Com informações da AFP)