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Bióloga brasileira denuncia tensões ideológicas na universidade após eleição de Trump

Por Adriana Moysés

A revista Le Point se interessou nesta semana pela atuação da bióloga brasileira Luana Maroja, 42 anos. Ela leciona desde 2010 evolução e genética na prestigiosa universidade Williams College, uma das instituições de ensino mais antigas dos Estados Unidos, fundada em 1793 no estado de Massachusetts.

A brasileira conta que depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca, os estudantes passaram a questionar em suas aulas noções científicas estabelecidas há muito tempo, como, por exemplo, a influência da genética no grau de inteligência humana.

"Em 2017, um estudante se levantou na minha aula para dizer que não era possível medir a inteligência (QI). Um outro disse que o QI foi criado pelos brancos para afastar as minorias do convívio social". Há controvérsias, mas estudos da neurociência e da genética comportamental mostram que a inteligência tem influência dos genes. Para acalmar os ânimos, Maroja explicou que fatores como o bom desempenho escolar também influem no QI, não sendo necessário evocar uma suposta superioridade biológica. Mas alguns de seus estudantes têm questionado cada vez mais os estudos científicos.

"As tensões ideológicas no campus aumentaram muito depois da eleição de Trump", lamenta a brasileira. As diferenças sexuais são outro tema que passaram a gerar controvérsia em suas aulas. Estudantes da Williams College, considerada uma das melhores universidades em artes liberais dos Estados Unidos, passaram a citar bizarrices em suas apresentações e textos. A expressão "indivíduo sem útero" floriu no vocabulário dos estudantes no lugar da palavra "homem". Em uma apresentação, um aluno utilizou a expressão "humano grávido" para se referir a uma gestante e evitar a palavra mulher.

Diante de várias situações de negacionismo científico, Maroja publicou um texto vibrante no site The Atlantic, destaca a revista francesa Le Point. Em seu texto, ela diz que, para proteger as mulheres e minorias de um discurso ofensivo, muitas pessoas, por mais bem-intencionadas que pareçam, acabam causando mal àqueles que desejam proteger. "Impede-se os estudantes de aprender, de ganhar poder intelectual e de argumentar contra ideias das quais discordam", acredita a professora.

Neste ano, os estudantes da Williams College pediram alojamentos separados para "proteger" as minorias étnicas ou sexuais. Luana Maroja foi contra a ideia, explica a Le Point. "Eu nasci no Brasil durante a ditadura e vi o que acontece quando se bloqueia o conhecimento. A liberdade de expressão sempre foi uma arma dos oprimidos. Fico entristecida de ver a direita conservadora e Trump quererem monopolizar o debate de ideias. Segregar as pessoas é terrível", diz a bióloga.

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