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"As crianças estão em jaulas de metal", afirma pediatra americana sobre menores migrantes presos nos EUA

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Centro de retenção para menores migrantes que chegam ilegalmente nos Estados Unidos. Captura de vídeo France 24

O governo americano anunciou na quarta-feira (21) que pretende colocar um fim ao "Acordo Flores", que limitava a 20 dias o tempo de detenção de migrantes menores de idade. Associações de direitos humanos e democratas prometem lutar contra a iniciativa, apoiados pela Academia de Pediatras dos Estados Unidos.


"Visitei centros de retenção, são lugares com o chão de cimento gelado, com baixas temperaturas, desconfortáveis. As crianças estão em jaulas de metal, com grades que vão do chão até o teto, com luzes acesas o tempo todo, fazendo com que seja impossível para eles distinguirem o dia da noite", afirma em entrevista à RFI a pediatra americana Julie Linton, da Carolina do Sul.

A médica também relata que os menores se aquecem com mantas térmicas de alumínio, que, devido ao barulho que fazem, impedem as crianças de dormirem. "Em minha experiência como pediatra, cada vez que entro em um centro infantil, ouço o som de crianças falando e brincando. Mas quando entro nesses atuais locais de retenção de migrantes, o único barulho que se ouve é desses cobertores de alumínio. A memória desse ruído é tão impactante que continua me assombrando o tempo inteiro", reitera.

Segundo a pediatra, a permanência das crianças em centros de retenção pode ter consequências imediatas. "A curto prazo, elas podem ter sintomas físicos como dores de cabeça, mudanças nas funções corporais, como falta de apetite e problemas para dormir, distúrbios emocionais, como depressão e ansiedade, e até de comportamento, incluindo atrasos em seu desenvolvimento", enumera.

Na vida adulta, muitos também vão desenvolver diversos problemas, prevê Linton. "Crianças que passam por experiências traumáticas têm maior risco de desenvolver doenças coronárias, derrames cerebrais ou depressão", salienta.

Fechamento das fronteiras

A nova política começará a ser implementada em 60 dias. "O Acordo Flores, que data de décadas, está defasado e não leva em conta a mudança em massa da imigração para famílias e menores da América Central", disse a Casa Branca, em um comunicado.

Em entrevista à imprensa, o presidente americano defendeu que, com suas políticas, o número de pessoas que chegam à fronteira está em retrocesso. "Uma das coisas que vai acontecer quando se derem conta de que as fronteiras estão se fechando é que não vão vir mais", afirmou Trump.

Várias ONGs defensoras de direitos humanos advertiram que vão recorrer aos tribunais para evitar a revogação do Acordo Flores. "Este é outro ataque cruel contra as crianças", critica uma das responsáveis pela associação União Americana dos Direitos Civis, Madhuri Grewal. "O governo não deveria prender crianças, muito menos tentar prender mais crianças durante mais tempo", salienta.