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ONG denuncia “caça aos migrantes” no México

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A cidade de Tapachula vive uma crise migratória atualmente. AFP Photos/Quetzalli Blanco

Há vários meses, a cidade de Tapachula, em Chiapas, no México, recebe muitos migrantes da Guatemala, incluindo mais de 3000 africanos. Nesse contexto, a ONG “Pueblo Sin Fronteras” (“Povo Sem Fronteiras”, em português) denuncia ações violentas feitas pelos mexicanos para prender ou expulsar os estrangeiros do país.


Na fronteira entre a Guatemala e o México, a localidade de Tapachula vem se transformando numa “cidade-prisão”, de acordo com a ONG Pueblos Sin Fronteras. Milhares de migrantes estão detentos e centenas foram expulsos violentamente na quarta-feira (21), enquanto manifestavam pelo direito de atravessar o México.

A organização denuncia uma verdadeira “caça aos migrantes” e afirma que 6000 soldados da guarda nacional mexicana foram mobilizados pelo governo para a “operação”. Jean-Marie, da República Democrática do Congo, disse à RFI ter sido vítima de uma agressão. “Aqui, somos enviados à prisão, maltratados, apanhamos. Não temos nada para comer”, declarou. Sua intenção é encontrar sua família no México, mas o governo não o permitiu sair de Tapachula.

Assim como Jean-Marie, mais de 3700 migrantes africanos entraram no México entre janeiro e junho de 2019, segundo as autoridades. “São pessoas de Camarões, Congo, Haiti... Exigimos nosso direito de sermos migrantes”, disse Jean-Marie.

Eles querem que o governo abra a rota para os Estados Unidos ou o Canadá. Mas, desde que Donald Trump ameaçou o México de impor uma taxa aos produtos importados aos Estados Unidos, o governo mexicano aumentou a segurança e a vigilância em seu território.

Presidente prometeu luta contra imigração

O conservador Alejandro Giammattei venceu a eleição presidencial em agosto na Guatemala, depois de uma campanha marcada por promessas de combater a pobreza e a violência, que contribuem com a imigração clandestina em direção aos Estados Unidos.

Durante a campanha, Giammattei e a ex-primeira dama Sandra Torres, a candidata social-democrata, evitaram falar de modo mais aprofundado sobre o acordo assinado em julho pelo governo com os Estados Unidos. O documento prevê que a Guatemala, país de passagem para migrantes que tinham o objetivo de pedir asilo nos EUA, receba os estrangeiros. Em entrevista à jornalista da RFI Lucile Gimberg, Kevin Partenay, cientista político e professor da universidade de Tours, no centro da França, disse que o novo chefe de Estado deverá renegociar o acordo.

“Os Estados Unidos exercem uma pressão colossal sobre os países da América Central, que são dependentes das trocas comerciais com os EUA”, disse. “O novo presidente já declarou que ele não é necessariamente contra esse acordo sobre a imigração, mas que é necessário renegociá-lo.” Segundo o cientista político francês, as negociações devem começar já no início do mandato de Giammalttei. “Este será sem dúvida um de seus principais desafios”, diz. Quase 1,5 milhão de guatemaltecos vivem nos Estados Unidos, mas apenas 300.000 e 400.000 com visto legal, de acordo com dados oficiais.