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Argentina Economia Crise Moratória FMI

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Com moratória, Macri empurra o problema para o próximo governo, diz analista

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O ministro da Fazenda argentino, Hernán Lacunza, anunciou o pedido de moratória durante coletiva de imprensa em Buenos Aires, nessa quarta-feira 28 de agosto de 2019. AFP Photos/Ronaldo Schemidt

A Argentina anunciou nessa quarta-feira (28) a prorrogação do prazo do pagamento de suas dívidas a curto e longo prazo e uma renegociação com o FMI. A decisão “significa que o país está em um default (moratória) técnica e que dadas as chances políticas de Macri nas próximas eleições, ele empurra o problema para o próximo governo”, segundo o especialista Ernesto Matos em entrevista à RFI.


Sem crédito, o governo pediu o reescalonamento de sua dívida para tentar acalmar os mercados após a derrota de Mauricio Macri nas primárias da Argentina, em 11 de agosto. As pesquisas indicam a vitória do candidato peronista de centro-esquerda, Alberto Fernandez, na eleição presidencial de 27 de outubro.

O ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, indicou que pediu ao Fundo Monetário Internacional o reescalonamento do vencimento de sua dívida de US$ 57 bilhões com a instituição. Em troca, o governo argentino promete um plano de austeridade. O empréstimo tinha sido concedido em 2018 para ajudar o país a superar duas graves crises monetárias. Os primeiros vencimentos estavam previstos para 2021.

Moratória

Ernesto Matos, especialista em economia política do Centro Cultural de Cooperação argentino, explica que o governo decretou essa moratória porque ficou sem reservas. “Entre 2016, no início do governo Macri, e julho de 2019, o país perdeu US$ 3 bilhões com a fuga de capitais”.

Segundo ele, essa situação foi provocada por medidas tomadas pelo governo, como a livre circulação de capitais, a livre compra de dólares e a livre liquidação de câmbio para os exportadores. “Buenos Aires não tem dólares para honrar com suas obrigações e por isso realiza esse tipo de medida para buscar um pouco de ar”, salientou.

A economia argentina enfrenta uma das taxas de inflação mais elevadas do mundo: 25,1%, entre janeiro e julho de 2019, e 54,4% nos últimos 12 meses. A crise provoca a queda do consumo, a falência de empresas, o aumento da pobreza (+32% em 2018) e do desemprego (+10,1% desde o início do ano). Após a derrota de Macri nas primárias, o peso perdeu 20% de seu valor e a bolsa 30%.