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Dissidente das FARC anuncia volta às armas com outros chefes rebeldes

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Imagem de vídeo divulgada pelo YouTube. YouTube/captura de vídeo

Iván Márquez, ex-número dois da guerrilha dissolvida das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e cujo paradeiro era desconhecido há mais de um ano, reapareceu em um vídeo nesta quinta-feira (29), anunciando que voltou às armas junto com outros chefes rebeldes que se distanciaram do acordo de paz na Colômbia.


Na gravação postada em um canal do YouTube, Márquez, vestido de verde militar e acompanhado por Jesus Santrich, um fugitivo da justiça, enfatiza: "Anunciamos ao mundo que a segunda Marquetalia (berço histórico da rebelião armada) começou sob proteção do direito universal que ajuda todos os povos do mundo a se levantarem contra a opressão ".

“O Estado vai conhecer uma nova modalidade de operação. Só responderemos às ofensivas. Não vamos continuar nos matando entre irmãos de classe para que uma oligarquia descarada continue manipulando nosso destino”, disse ainda Márquez no vídeo.

Entrevistado pela RFI, o ex-combatente Yezid Arteta analisa que "há um claro descontentamento, bastante generalizado entre os ex-integrantes das FARC, que consideram que a entrega das armas e a desmobilização não teve uma contraproposta". Além disso, ele acrescenta, "o processo de reabilitação e reincorporação foi muito precário".

O grupo promete “distanciamento total das retenções com fins econômicos”, em uma aparente referência a sequestros, segundo o site da Rádio Caracol, da Colômbia. Mas eles vão buscar “diálogo com empresários, fazendeiros, comerciantes e pessoas poderosas do país, para pedir colaborações para o progresso das comunidades rurais e urbanas”.

Nas selvas do sudeste da Colômbia, o ex-negociador da paz também acrescentou que seu anúncio é a "continuação da luta de guerrilha em resposta à traição do Estado aos acordos de paz de Havana". O acordo levou ao desarmamento de cerca de 7.000 homens e mulheres em 2017.

Grupo dissidente

Márquez, Santrich e Hernán Darío Velásquez, também conhecido como El Paisa - que também aparece no vídeo com um rifle e uniforme de camuflagem - afastaram-se do pacto de paz que visava a acabar com mais de meio século de conflito armado e que deu origem ao agora partido das FARC.

Os três reapareceram na selva ladeados por homens e mulheres com rifles e com uma faixa na parte inferior, na qual é possível ler "Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia FARC-EP".

"A armadilha, a traição e a perfídia, a modificação unilateral do texto do acordo, a violação dos compromissos por parte do Estado, as assembleias judiciais e a insegurança jurídica nos forçaram a voltar para a montanha. Nunca fomos vencidos ou derrotados ideologicamente, é por isso que a luta continua", diz ainda Márquez no vídeo de 32 minutos.

Segundo ele, o novo grupo armado procurará coordenar "esforços com os guerrilheiros do ELN e com aqueles camaradas que não dobraram suas bandeiras".

Com cerca de 2.300 combatentes, o Exército de Libertação Nacional (ELN) é reconhecido como o último grupo guerrilheiro ativo na Colômbia e exerce forte influência na fronteira com a Venezuela.